CEG cria fundo de pensão

Edição 175

A distribuidora de gás carioca é a primeira cliente do multipatrocinado do
Santander Banespa, que iniciou suas operações em maio último mas quer
estar entre os primeiros em dois anos

O Santander Banespa foi um dos últimos grandes bancos de varejo a criar
seu fundo de previdência multipatrocinado, para atuar no disputado
mercado de previdência fechada. A autorização para o funcionamento só
foi assinada pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC) em maio
passado, quando a maioria dos concorrentes já estava rodando os seus
fundos há anos. “É verdade que entramos tarde, mas queremos
transformar essa desvantagem em vantagem”, afirma o responsável pelo
produto, Laércio Ramos.
O contrato com o primeiro cliente terminou de ser assinado. Trata-se da
Companhia Estadual de Gás (CEG), empresa de distribuição de gás do Rio
de Janeiro cujo controle foi comprado pela espanhola Gás Natural em 1997
num leilão de privatização. A CEG está criando o Naturalprev, um plano de
Contribuição Definida (CD) que terá como patrocinadores, além dela
própria, também a Gás Natural de São Paulo, a Gás Natural Brasil e a Gás
Natural Serviços. Ao todo, as quatro empresas reúnem 420 funcionários.
O Naturalprev deve começar a ser oferecido aos funcionários a partir de
maio do ano que vem. A adesão será voluntária e as patrocinadoras vão
aportar na proporção de um por um em relação às contribuições dos
participantes, variando entre 0,1% e 1% do salário para a faixa até R$
2.200,00 (piso da previdência) e entre 0% e 7% do salário para a faixa
que superar os R$ 2.200,00.
O novo plano também será oferecido aos participantes da fundação
Gasius, que é patrocinada pela CEG e encontra-se em regime de extinção.
A fundação Gasius sofreu intervenção da SPC em 1997 por conta de um
déficit de R$ 60 milhões nas contas do seu plano de Benefício Definido
(BD). Logo após a privatização, já com a CEG sob o controle da Gás
Natural, o equacionamento desse valor começou a ser discutido com a
patrocinadora mas divergências sobre o montante devido arrastaram a
pendenga até 2004, quando finalmente foi feito um acordo de confissão
de dívida no valor de R$ 54 milhões, a serem pagos em 144 parcelas.
Logo após esse acordo a patrocinadora pediu o fechamento do fundo.
Hoje, a fundação Gasius possui 150 participantes ativos e 1.050
assistidos, com patrimônio da ordem de R$ 228 milhões, provisões
matemáticas de R$ 184 milhões e um superávit acumulado de R$ 43
milhões. “Acreditamos que a migração dos participantes do Gasius para a
fundação Naturalprev será pequena, pois a maioria deles tem idade
avançada e está perto da concessão do benefício”, avalia o
superintendente da Gasius, Wagner Mendes Costa, que é também
gerente adjunto de recursos humanos da CEG.
Segundo Costa, a opção de criar um novo plano ao invés de revitalizar o
Gasius deveu-se ao histórico do último, que tinha uma trajetória de
pendências, intervenções e um grande número de participantes assistidos.
Além disso, a entrada num multipatrocinado torna mais fácil a criação de
um plano CD puro e mais barata a sua administração, analisa.
Com a criação do Naturalprev, cujos estudos atuariais foram feitos pela
Towers Perrin, a CEG e as outras três empresas do grupo passam a ter
uma política de recursos humanos homogênea no que se refere à
previdência complementar. “A situação anterior era complicada, pois um
grupo de funcionários tinha plano de previdência e outro grupo não tinha”,
diz.

Filosofia – De acordo com o Laércio Ramos, do Santander Banespa, a
filosofia que será adotada pelo multipatrocinado é de tirar das costas do
cliente a responsabilidade pelas operações administrativas do dia-a-dia,
restando-lhe apenas as responsabilidades estratégicas de longo prazo e
as definidas na lei. “A empresa quer um multipatrocinado justamente para
não precisar se envolver no dia-a-dia dos controles, quer alguém que faça
isso por ela”, explica.
Outro aspecto com o qual o Santander Banespa pretende se diferenciar da
concorrência é pelo atendimento personalizado, que envolverá não apenas
o relacionamento com a patrocinadora mas também com os seus
funcionários, através de palestras sobre opções de investimento,
planejamento tributário etc.
Os clientes também poderão escolher o seu próprio atuário e os recursos
do plano não serão canalizados obrigatoriamente para a empresa de
gestão do banco. Segundo Ramos, haverá um valor mínimo que deverá
ser aplicado sob gestão do banco mas o restante estará livre para buscar
outros gestores no mercado. “Faremos, inclusive, um acompanhamento
com análises e avaliações do desempenho dos gestores externos para
apresentar aos clientes”.
Para Ramos, o foco da nova área do Santander Banespa serão as
empresas com as quais o grupo mantém relacionamento global, a maioria
delas de origem espanhola, como é o caso da Gás Natural. Embora tenha
sido um dos últimos a entrar nesse mercado, o banco acredita que em
dois anos o seu multipatrocinado estará entre os dois ou três maiores do
setor. “Não vamos fazer guerra de preços, mas com certeza os nossos
preços serão os melhores do mercado”, promete.