Aposta firme em PGBLs e no multipatrocínio

Edição 173

Empresa já administra R$ 2,45 bilhões entre planos de previdência aberta
e fundos multipatrocinados

Quando deixou o Icatu/BBA, no ano de 2002, para viajar por outros países
naquilo que chamou à época de “um ano sabático”, muitos achavam que
ele estava pendurando as chuteiras. Qual nada, o baiano de Salvador,
Carlos Garcia, estava só dando um tempo para se reciclar e conhecer
novos produtos previdenciários, depois ter de ter passado quase vinte
anos anos vendendo produtos de investimento para os fundos de pensão
através da asset do Icatu e depois pela Icatu/BBA, surgida da associação
das duas em 2000. Quando, em 2002, o BBA comprou a parte do Icatu na
sociedade ele viu que estava na hora de cair fora e se reciclar.
Passou quase um ano viajando por Estados Unidos e Canadá, onde travou
contato direto com os novos fundos de previdência aberta que lá estavam
sendo vendidos às empresas com grande sucesso. Ao contrário do que
ocorria aqui, lá a rivalidade entre os fundos fechados e abertos não era
tão acirrada e uma mesma patrocinadora podia manter um plano fechado
e outro aberto funcionando ao mesmo tempo e de forma complementar.
Ele voltou para o Brasil desprovido da idéia de rivalidade entre os dois
tipos de planos.
Em 2003, quando o Icatu resolveu ativar a empresa que mantinha em
sociedade com a Hartford desde 1996 para vender planos de previdência,
a escolha do nome de Garcia foi natural: ele conhecia profundamente o
sistema fechado e tinha travado contato com o sistema aberto dos
Estados Unidos e Canadá durante quase um ano, podendo avaliar as
vantagens de um e de outro para cada tipo de empresa e para cada
situação. “Na verdade, não tem um sistema melhor do que o outro, mas
para uma empresa pequena o aberto faz mais sentido”, diz. “Agora, a
partir de um determinado patamar há vantagens nos dois”.
Começando a operar de fato em 2004, a Icatu Hartford é hoje uma das
mais ativas empresas desse mercado de planos previdenciários,
oferecendo desde fundos multipatrocinados até PGBLs e VGBLs
corporativos e individuais. Ela administra cerca de R$ 2,45 bilhões, entre
planos fechados e abertos, mas garante que seu apetite é grande para
crescer.
Apenas os PGBLs e VGBLs somam R$ 1,7 bilhão, sendo que R$ 500
milhões são de planos corporativos (467 empresas) e R$ 1,2 bilhão de
planos individuais. O multipatrocinado da empresa, atualmente com 40
patrocinadoras, já soma R$ 750 milhões, incluindo os R$ 400 milhões que
vieram com a recente migração da Previnor. “As migrações continuam a
ocorrer”, diz Garcia. “Isso acontece não apenas dos fundos fechados para
o multipatrocínio, mas também entre os multipatrocinados”.

Gestão externa – A alocação dos recursos é feita por diferentes gestores.
Atualmente, além da asset do próprio Icatu Hartford, outras 12 instituições
fazem a gestão dos recursos do multipatrocinado. Os recursos da
previdência aberta são entregues a 10 gestores externos, além do
Icatu. “Quando somos contratados, damos à empresa opções de escolher
o perfil de investimento e o gestor, além de darmos também a opção de
escolher o atuário”, diz Garcia. “A diversificação de gestores é saudável,
afinal ninguém é bom em tudo”
Consultores de investimento consideram que essa é a postura ideal,
permitindo que a patrocinadora escolha o gestor dos recursos. Acham que
multipatrocinados que não dão essa opção, como é o caso do
multipatrocinado do HSBC, tendem a perder espaço no mercado. “Aliás,
embora o multipatrocinado do HSBC seja hoje o maior do mercado, já está
perdendo espaço”, diz uma fonte. “A postura de impor a sua própria
gestão, sem dar liberdade ao patrocinador de escolher gestores externos,
está limitando o crescimento deles”. O HSBC, procurado por esta revista,
não quis se manifestar sobre o assunto.

Migração – Para Garcia, a agilidade da SPC na aprovação de mudanças de
planos tem sido uma das responsáveis pelo sucesso da migração para os
multipatrocinados. Ele conta o caso de uma fundação, cujo nome não
declina, que iniciou um pedido de migração no ano 2000 e que só foi
liberado pela SPC em 2003. Hoje, a liberação de um processo desse tipo
demora um mês, no máximo.
Também o endurecimento da legislação sobre os dirigentes e conselheiros
de fundações ajudou a impulsionar essa migração. “A nova legislação tem
feito com que algumas fundações menores repensem sua vocação”,
explica Garcia. “Muitos diretores se sentem desconfortáveis com esse tipo
de pressão e é natural que busquem uma saída no multipatrocínio”.
Garcia acredita que as migrações vão continuar a ocorrer, assim como a
criação de novos planos por parte das médias empresas. Segundo ele, a
maioria das grandes empresas já possuem planos e as que não possuem
é por uma decisão estratégica. Quanto às pequenas e médias, ele tem
um critério para avaliar quadno vale a pena procurá-las. Segundo ele, o
primeiro benefício que uma empresa oferece aos funcionários é o plano
de saúde, em segundo lugar vem o seguro de vida em grupo e apenas
em terceiro o plano de previdência. Se a empresa não tem os dois
primeiros, não vale a pena bater na porta dela, explica.