Edição 167
Depois dos fundos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, fundo Brasil já atrai 42 cotistas
A licerçada no sucesso dos seus dois primeiros fundos de investimento voltados exclusivamente aos regimes próprios de uma região, a Caixa lançou no início de fevereiro um novo fundo voltado a esses institutos de todo o Brasil – o Caixa Regime Próprio Brasil. Em apenas três semanas de funcionamento o fundo, que começou a rodar em 10 de fevereiro, já acumulava um patrimônio de R$ 87 milhões, com 42 cotistas.
Para o vice-presidente da área de administração de recursos de terceiros da Caixa, Wilson Risolia, o fundo passa fácil da casa do R$ 1 bilhão.
Segundo a política do fundo, sua taxa de administração irá caindo gradativamente à medida que o volume de recursos subir. Até R$ 200 milhões é de 0,40%, daí até R$ 500 milhões é de 0,35%, desce para 0,30% entre R$ 500 e R$ 800 milhões e fica em 0,25% entre R$ 800 milhões e R$ 1,5 bilhão. Acima desse volume a taxa estabiliza-se em 0,20%. “A taxa de administração é regressiva, mas não é flexível”, explica. “Se o volume cai, a taxa não retrocede”.
Com R$ 2,4 bilhões captados junto aos regimes próprios de estados e municípios, a Caixa é hoje o maior gestor de recursos desse tipo de aplicador (ver ranking à página 37). A escalada começou há cerca de três anos, aproveitando a rede de agências e a proximidade da Caixa com as prefeituras das menores cidades. Foi montada uma estrutura específica para desenhar planos e fazer o gerenciamento dos passivos nessas pequenas cidades, assim como uma equipe comercial com conhecimentos suficientes sobre as regras de investimentos que regem os regimes próprios, consolidadas na Resolução 3.244 do CMN. “Nos preparamos para enfrentar esse momento de crescimento e agora estamos colhendo os frutos”, diz Risolia.
Do total que a Caixa administra dos regimes próprios, quase R$ 550 milhões estão aportados nos dois primeiros fundos regionais para esse tipo de cliente. O primeiro, lançado em julho do ano passado e voltado exclusivamente aos regimes próprios gaúchos, registrava no início de março patrimônio de R$ 247 milhões e rentabilidade acumulada de 102,9% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), com 168 cotistas.
O segundo, lançado em novembro do ano passado e voltado aos regimes próprios do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, registrava na mesma data patrimônio de R$ 297 milhões e rentabilidade acumulada de 105,5% do CDI, com 87 cotistas.
Segundo Risolia, com o novo fundo a Caixa deve praticamente dobrar o volume de recursos captados junto a esse público em pouco tempo. “Além de oferecer uma boa rentabilidade, a regressividade das taxas de administração torna o produto bastante atraente”, diz. Ele espera que o novo fundo seja demandado principalmente por regimes próprios de menor porte, que poderiam usar suas assembléias para discutir cenários e políticas de investimento.
A comercialização dos fundos é feita pela própria área de recursos de terceiros da Caixa, quando se trata de regimes próprios dos 250 maiores municípios brasileiros, e por gerentes de relacionamento das agências, especialmente treinados para atender a dirigentes de institutos, para o restante dos municípios. De acordo com Risolia, a área de recursos de terceiros trabalha de forma bastante integrada à rede de agências, sendo acionada sempre que um gerente precisa de ajuda para fazer uma apresentação ou traçar cenários a um dirigente de instituto.
Leque de produtos – Ainda segundo Risolia, a Caixa prepara-se para lançar novos fundos de investimento no mercado, completando sua linha de produtos que hoje é basicamente estruturada em cima da renda fixa.
Novos fundos de ações e multimercados, assim como produtos formatados a partir de recebíveis e FICs estão na bica, garante. “Nosso leque de produtos é muito limitado, temos apenas dez tipos de fundos dos cerca de trinta que o mercado tem”, diz. “Vamos ampliar e diversificar”.
Ele diz que os novos fundos que estão em gestação deverão incorporar, inclusive, novos benchmarks diferentes do CDI. “A indústria de fundos está buscando outros referenciais, tem gente falando do IMA (Índices de Mercado Andima) e do IPCA”.