Chile poderá mudar previdência neste ano

Edição 166

Os candidatos que estavam concorrendo à presidência do Chile, o liberal
Sebastián Piñera e a socialista Michelle Bachelet, concordavam em um
ponto desde o começo da campanha

Os candidatos que estavam concorrendo à presidência do Chile, o liberal
Sebastián Piñera e a socialista Michelle Bachelet, concordavam em um
ponto desde o começo da campanha: era necessário promover a reforma
do sistema de previdência do país. E pelo seguinte motivo: estimativas
indicam que, se o modelo atual for mantido, daqui a 15 anos 40% dos
trabalhadores chilenos não terão direito a qualquer benefício previdenciário.
E, agora, a presidente eleita, Bachelet, já disse que vai manter a promessa
e será uma das prioridades da gestão dela na área social. Algumas das
propostas da primeira mulher a assumir o executivo do Chile é ampliar a
cobertura do sistema e reduzir as comissões cobradas pelas
Administradoras dos Fundos de Pensões (AFPs), um dos principais pontos
que estão enfraquecendo o sistema.
Segundo levantamento feito pela Superintendência de Administradoras de
Fundos de Pensão, o órgão fiscalizador do país, o trabalhador chileno que
consegue, na média, acumular contribuições suficientes para se aposentar
sai do mercado com 39% da renda que tinha quando estava ativo. O
sistema de previdência do país foi privatizado pelo ditador Augusto
Pinochet na década de 80.
No sistema de previdência chileno o trabalhador que tem carteira assinada
contribui todo o mês com 10% do salário. Além disso, 2,5% são
descontados do salário para cobrir custos de administração e um seguro
em caso de invalidez, e outros 7% são destinados ao serviço público de
saúde. Mas o empregador não faz contrapartida em nenhum dos casos.