Laceando a corda do pescoço

Edição 163

Compromissos de planos de benefício definido de fundações
estadunidenses caem 21,9% no ano passado

Os compromissos dos fundos de pensão norte-americanos diminuíram no
ano passado devido à melhora do retorno dos investimentos, mas em um
passo mais lento do que o ocorrido em 2003, de acordo com estudo anual
da Pensions & Investments. Segundo a publicação, os compromissos dos
100 maiores planos na modalidade Benefício Definido (BD) caíram 21,9%
em 2004 em relação ao ano anterior, sendo que em 2003 os
compromissos haviam registrado queda de 41% em relação a 2002.
O déficit dos 100 maiores fundos de pensão daquele país foi de US$ 69,5
bilhões no ano passado, abaixo, portanto, dos US$ 89,0 bilhões
verificados em 2003 e dos US$ 151,0 bilhões de 2002. A maior
contribuição no ano passado veio da Boeing, no valor de US$ 3,6 bilhões.
O aporte da empresa, junto com o retorno real de US$ 4,3 bilhões dos
seus ativos, ajudou-a a reduzir consideravelmente o déficit do seu plano.
Para este ano, a Boeing planeja contribuir com US$ 1 bilhão, dos quais
US$ 455 milhões já foram alocados no primeiro trimestre.
Outras empresas que têm planos entre os 100 maiores na modalidade BD
e que contribuíram com mais de US$ 1 bilhão para os seus respectivos
fundos de pensão em 2004 foram: Ford Motor, com US$ 2,30 bilhões;
Deere & Co. , com US$ 1,55 bilhão; Bank of América, US$ 1,45 bilhão;
Chevron Corp, US$ 1,33 bilhão; United Parcel Service, US$ 1,20 bilhão; JP
Morgan Chase & Co., US$ 1,10 bilhão; United Technologies Corp, US$
1,02 bilhão; e Daimler Chrysler Corp. e SCB Communications, com US$ 1
bilhão, cada.
Entre as empresas que já contribuíram com grandes quantias este ano
estão a International Business Machines Corp (IBM), com US$ 1,7 bilhão
no primeiro trimestre; a Ford Motor Co., que já aportou US$ 2,4 bilhões
até 30 de abril deste ano e ainda vai contribuir com um adicional de US$
400 milhões até o final do ano, além da Verizon Communications Corp.,
que colocou US$ 698 milhões no plano da empresa no primeiro trimestre
e ainda espera alocar mais um total de US$ 730 milhões até dezembro.
O retorno dos investimentos dos 100 planos foi saudável em 2004, mas
caiu em relação ao ano anterior, acompanhando a lentidão do crescimento
deste mercado. O total de retorno em ativos foi de US$ 108,6 bilhões no
ano passado, o que representou uma queda de 27,9% em relação aos
US$ 150,7 bilhões registrados em 2003. A General Motors obteve o maior
retorno, de US$ 11 bilhões em 2004, ou 12,2% dos ativos do plano. Já a
IBM conseguiu um retorno real de US$ 5,2 bilhões, ou 11,6% dos ativos
do plano.
Nenhum dos 100 maiores planos corporativos BD apresentaram perdas de
investimento no ano passado. O plano com o menor índice de retorno foi
o da Emerson Electric Co., de US$ 74 milhões, ou 3,8% dos ativos do
plano. A empresa viu sua proporção de ativos/compromissos cair de
98,4%, em 2003, para 86,7%, em 2004, a maior queda relativa entre os
100 planos.
Neste quesito – de melhor proporção ativos/compromissos – o FPL Group
foi o melhor plano previdenciário no período, com esta relação em
183,9%. O segundo melhor desempenho nesta categoria foi da BellSouth,
com US$ 15,6 bilhões em ativos e US$ 11,7 bilhões em obrigações de
benefícios, em uma proporção de 133,2%. Já a MeadWestvaco obteve US$
3,4 bilhões em ativos e US$ 2,7 bilhões em obrigações de benefícios, em
uma proporção de 133,2%.
O JPMorgan Chase registrou ativos de US$ 9,6 bilhões e obrigações de
benefícios de US$ 7,6 bilhões em 2004 e uma proporção de
ativos/compromissos de 126,9%. O plano desta empresa foi combinado
com o do Bank One em 31 de dezembro do ano passado, após um
processo de aquisição. Em 2003, Bank One apresentou uma proporção de
fundo de 123,6% e o JP Morgan, de 105,00%.

Ganhos – Entre os 100 planos, 73 tiveram a experiência de retorno de
10% ou mais de seus ativos. Os planos das empresas de aviação,
entretanto, tiveram o pior desempenho, como é o caso da United Airlines.
A companhia teve o pior resultado do fundo de pensão tanto em volume –
com uma queda de US$ 6,4 bilhões –, quanto na proporção do fundo, que
ficou em 52,7% em 2004, ante os 53,1% de 2003.
Os investimentos do fundo da United tiveram um retorno de US$ 843
milhões no ano passado, com as contribuições totalizando US$ 200
milhões antes de a patrocinadora parar de fazer aportes ao fundo de
pensão, em julho. A corte de falência dos Estados Unidos aprovou em
maio a transferência dos quatro planos da empresa para o Pension
Benefit Guaranty Corp, na maior operação da história do órgão que é um
garantidor de benefícios dos planos de empresas em falência.