17-02-2016 – 11:54:43
Desde que Patrick O’Grady deixou a XP Gestão no fim do ano passado, após a decisão da asset de mudar a equipe de gestores do Rio de Janeiro para São Paulo, Marcos Peixoto, que passou a acumular o posto de CEO e gestor de renda variável, tem implementado algumas mudanças dentro da casa. A principal alteração foi a redução no número de fundos que a gestora vem oferecendo. “Um excesso de oferta de fundos atrapalha o foco. Estávamos perdendo o foco com coisas pequenas quando devemos focar em menos coisas, só que maiores”, afirma Peixoto. “Nos últimos dois anos a XP lançou diversos produtos, tentou inovar, e alguns não deram muito certo, ficaram com um PL muito pequeno”.
Entre eles está o fundo de fundos que investia no exterior via assets globais voltado para fundos de pensão, que não alcançou um PL relevante para que fosse mantido operacionalmente. A XP chegou a promover uma viagem para Nova York no início de 2015 com oito fundações para alavancar o produto, mas a empreitada não trouxe o retorno esperado. “Não víamos perspectiva de captação para esse fundo no curto ou médio prazo. Era um fundo que sugava muito tempo, com viagens no exterior, road shows, e não valeu a pena pelo retorno”. O fundo que investe em BDRs também foi encerrado, e a XP mantém conversas com a AllianceBerstein para lançar um novo fundo de recibos de companhias estrangeiras que seja gerido pela asset global. “Para fazermos um trabalho bem feito teríamos de ter uma equipe muito grande”.
Também foram encerrados um fundo que investia em assets em fase inicial, uma espécie de aceleradora de gestoras, e um outro que alocava em bonds de empresas internacionais. “Ao invés de operar créditos de empresas de fora, pensamos em um novo fundo que vai comprar créditos de empresas brasileiras que emitem no exterior. Vamos aproveitar o time dentro de casa que já olha para Brasil”.
Novidades – Além de encerrar alguns fundos com pouco apelo junto ao investidor, a XP Gestão também prepara para o mês que vem o lançamento de um novo fundo multimercado macro. A parte de renda variável ficará à cargo do próprio Marcos Peixoto, junto com o outro gestor de ações da casa, João Braga. Para a parte de moedas, a asset está selecionando um novo gestor; e para o segmento de renda fixa, ela acaba de contratar o gestor Julio Fernandes, que esteve nos últimos cinco anos na Gap Asset, após passagens pela Itaú Asset e BBM. “Será um fundo macro clássico, um hedge fund que não depende da bolsa subir para ganhar, ele vai aproveitar a volatilidade do mercado para buscar um retorno de CDI mais 5% ao ano”.
O grande desafio da XP para 2016, diz Peixoto, é melhorar a captação dos produtos que a casa vai aumentar o foco daqui por diante, já que a performance deles não ficou aquém da dos concorrentes nos últimos meses, embora o ingresso de novos recursos tenha deixado a desejar. “Estamos reabrindo um fundo long & short que está com R$ 350 milhões, o nosso maior na renda variável, e vamos voltar a fechar quando atingir R$ 500 milhões”. O CEO da asset entende também que a migração da equipe de gestores da XP do Rio para São Paulo, com maior sinergia entre toda equipe, vai contribuir para esse objetivo de aumento da captação em uma grade de produtos mais reduzida.
Ao assumir a direção da XP Gestão, Peixoto estava na dúvida se seguiria no cargo, pois não queria deixar de exercer sua atividade principal, que é a gestão em renda variável. Com a mudança de estratégia da casa, mais focada em menos produtos, a equipe e a estrutura da gestora de forma geral foram enxugadas, e o executivo entende que com o tamanho atual será capaz de manter as duas atividades sem maiores problemas. “A estrutura da asset está mais enxuta, e não vai tomar muito tempo com burocracias”.