27-02-2018 – 16:07:19
A Aberdeen Asset, que detém uma participação na BRF há cerca de seis anos, e que hoje está próxima de 5%, acompanha de perto as movimentações de outros acionistas relevantes, como Previ e Petros, que visam destituir o atual conselho de administração da companhia, que, na avaliação dos investidores, não foi capaz de entregar os resultados esperados.
Eduardo Figueiredo, que compõe a equipe dedicada às ações de mercados emergentes da Aberdeen Asset, diz que a gestora já vinha há algum tempo interagindo com vários outros acionistas da BRF, não apenas os fundos de pensão, sobre o que poderia ser feito para ajudar a empresa a voltar à sua trajetória positiva.
“Nessas conversas tratamos de decisões que se provaram erradas do ponto de vista operacional, da dinâmica pouco produtiva do conselho, de uma governança inadequada da empresa”, enumera Figueiredo. “Vemos a iniciativa dos fundos de pensão com bons olhos, e somos favoráveis a uma mudança que venha realmente trazer renovação do conselho, melhoria na governança, que entendemos que é o que a empresa precisa nesse momento”.
Pelo fato de o conselho ser o órgão principal da empresa, a chegada de novos nomes, com perfil técnico para estar na posição de membro independente, dissociado de algum grupo específico de acionistas, tende a ajudar na tomada de decisões de forma mais clara e interromper o processo que estava causando danos à empresa por conta das muitas divergências entre os membros, pondera o especialista da Aberdeen.
O gestor da Aberdeen ressalta que as preocupações quanto ao desempenho da BRF se iniciaram em meados de 2016, e que desde então o conselho de administração da empresa tomou conhecimento dos questionamentos, mas pouco fez na prática para endereçar os problemas apontados. Em nota divulgada na segunda-feira, 26 de fevereiro, Abilio Diniz, presidente do conselho de administração da BRF, disse entender a posição dos fundos de pensão, mas ressaltou que discorda das ações, da forma e do momento em que estão se manifestando. “A empresa chegou em uma situação em que a mudança é vista como positiva pela maior parte dos acionistas em nossa percepção. A manutenção de um status quo que se provou pouco produtivo não vale mais a pena na nossa visão”, afirma Figueiredo.
Sobre a eventual intenção em alterar o tamanho de sua exposição na BRF, o gestor ressalta que se trata de uma posição carregada já há bastante tempo, e que a asset não toma decisões baseadas em movimentos de curto prazo. “Nossas decisões são estratégicas, não relacionadas especificamente a um ou outro movimento na empresa”.
Figueiredo explica que agora é preciso aguardar a reunião extraordinária do conselho da BRF convocada para a próxima segunda-feira, 5 de março, na qual deve ser tratado o pedido feito pelos fundo de pensão de convocação de assembleia extraordinária, que, por sua vez, deve ser realizada dentro de um prazo de 30 dias. “Os próximos passos são aguardar a lista final de nomes que será proposta oficialmente pelos acionistas para compôr o conselho e a convocação da assembleia”.
O gestor diz que a Aberdeen deve monitorar e analisar os nomes a serem apresentados pelos demais acionistas como sugestão para o conselho, mas sem uma indicação direta da asset por algum profissional. “No caso da indicação dos conselheiros independentes na Vale, nossa intenção foi facilitar o processo tomando a liderança na nomeação, mas são candidatos totalmente independentes, sem nenhum vinculo com a gestora”.