UBS recomenda compra no mercado acionário brasileiro

14-02-2017 – 16:46:02

 

O UBS alterou para compra sua recomendação para o mercado acionário brasileiro, após verificar uma melhoria nos fundamentos das companhias listadas na Bovespa. Em relatório assinado pelos estrategistas Alan Alanis e Sambuddha Ray , o banco destaca que começa a observar um movimento de revisões por parte dos analistas de mercado nos lucros esperados das empresas brasileiras de capital aberto – o consenso, de acordo com a instituição financeira, aponta para um crescimento de 17% no lucro por ação (EPS, earnings per share) em 2017, e de 10% em 2018. “Entendemos que pode haver um ‘upside’ nessas estimativas”, escrevem os especialistas. O cenário base com o qual trabalha o UBS prevê o Ibovespa aos 77 mil pontos em dezembro de 2017, o que implica uma valorização de 16% em moeda local, e de 20% em dólar.

Os estrategistas do banco de origem suíça apontam a Petrobras como sua ação preferida do mercado brasileiro, para a qual tem recomendação ‘overweight’ (desempenho esperado acima da média em relação aos seus pares). O UBS, ressaltam os profissionais, tem uma visão global otimista para o preço do petróleo, e projeta um incremento de 18% no preço da commodity em 2017, e de 23% em 2018. “Esse movimento deve dar suporte para os papéis da Petrobras”. O relatório diz também que outro setor que “ainda parece atraente” é o de ‘utilities’. “Os setores de energia e de ‘utilities’ devem se beneficiar não apenas dos preços mais altos do petróleo, mas também de uma retomada do investimento direto externo no Brasil”. Alem da Petrobras, o UBS aponta como seus nomes preferidos na Bovespa Tim Brasil e CTEEP.

Os segmentos preferidos do UBS na Bovespa são aqueles que se beneficiam de um processo de desalavancagem, beneficiados pelo fortalecimento do Real e pela queda das taxas de juros. “Nesse aspecto, preferimos os segmentos de ‘utilites’, imobiliário e energia”. Papéis de representantes do setor de consumo deveriam ser evitados no momento, já que a retomada econômica do país certamente será puxada pelos investimentos, enquanto o varejo não deve dar sinais mais claros de força ao menos no curto prazo, prevê o banco.

A despeito da valorização próxima de 40% do Ibovespa em 2016, os estrategistas da instituição financeira entendem que “provavelmente’ o rally da bolsa brasileira ainda não terminou. “Mantemos nossa visão de que a próxima alta no mercado brasileiro de ações deve ser guiado pela melhoria dos fundamentos”. A alta do mercado no ano passado foi baseada apenas em uma reprecificação do valuation das empresas, mas o impacto dessa reprecificação nos lucros futuros ainda não foi considerado, afirmam os especialistas. O UBS ressalta ainda que as reformas em curso indicam uma aceleração do investimento estrangeiro direto rumo ao Brasil. “Qualquer mudança de direção no processo de aprovação das reformas pode criar um risco de valorização ou desvalorização para os investimentos no Brasil. Assim, as reformas, e o investimento estrangeiro direto são pontos chave a serem monitorados”.