24-07-2017 – 14:06:15
A equipe de estrategistas do UBS voltada para América Latina prevê que a temporada de balanços das companhias brasileiras de capital aberto referentes ao segundo trimestre de 2017 deve ficar abaixo das estimativas dos analistas do mercado. “Um desapontamento com os lucros do segundo trimestre nos parece provável”, aponta o relatório da instituição financeira de origem suíça assinado por Alan Alanis e Sambuddha Ray.
O motivo que leva os estrategistas do UBS a essa expectativa sobre a temporada de balanços é a dinâmica declinante de arrecadação de impostos do país nos últimos meses. Eles lembram que, no acumulado de abril, maio e junho a arrecadação de impostos apresenta uma queda nominal de 8% na comparação com igual período do ano passado. “Esse resultado da coleta de impostos não é preocupante apenas por conta da situação fiscal do Brasil, mas porque indica que os lucros das empresas também podem estar caindo”, diz o relatório do UBS.
Os especialistas do banco europeu notam que, em uma análise dos últimos 40 trimestres, duas em cada três vezes o movimento apresentado pela arrecadação de impostos foi acompanhado de maneira similar pela dinâmica dos balanços corporativos. “Em outras palavras, os dados de arrecadação sugerem que os balanços das empresas devem cair no segundo trimestre”.
Mesmo com essa leitura pouco animadora, os estrategistas do UBS apontam os setores de telecom, saúde e discricionário como os que podem se destacar positivamente na temporada de balanços que se inicia. Por outro lado, os profissionais entendem que energia, utilities e materiais são segmentos que tendem a apresentar os piores resultados da safra. O mercado acionário brasileiro recebe atualmente por parte do UBS dentro de seu portfólio de América Latina a recomendação neutra, ou seja, nem de compra e tampouco de venda. “Seguimos cautelosos no curto prazo principalmente por conta do risco de resultados abaixo do esperado”. Os estrategistas do UBS escrevem ainda no relatório que o patamar no qual se encontra o câmbio torna o mercado brasileiro de ações menos atraente em dólares para os investidores estrangeiros.
Rally – Os especialistas do banco ressaltam, contudo, que uma conjunção de fatores pode fazer com que a bolsa brasileira apresente um novo rally. Entre essas condições, eles citam a resolução do impasse político e a aprovação da reforma da previdência ainda em 2017; a retomada do consumo do setor privado antes do previsto, com a dinâmica inflacionária mantendo-se benigna; uma eventual recuperação no preço das commodities, especialmente do petróleo e do minério de ferro, ajudando Petrobras e Vale respectivamente; e caso as previsões para os resultados de 2018 sejam revisadas para cima.
Os estrategistas do UBS reconhecem que o mercado acionário brasileiro é hoje o mais barato entre os países da América Latina. Os profissionais do banco suíço dizem também que a economia doméstica deve continuar em sua trajetória recente de recuperação, embora em um ritmo lento. “Permanecemos construtivos com as ações brasileiras no médio prazo. Por enquanto a política, e não os resultados das companhias, deve seguir como o centro das atenções”.