22-01-2018 – 13:08:31
O Serpros recuperou R$ 84,8 milhões referentes aos investimentos feitos no Banco BVA. Os aportes, realizados entre 2011 e 2012, foram perdidos após o Banco Central decretar intervenção na instituição financeira em 2012. Na época, o fundo de pensão havia aplicado R$ 165 milhões no banco. Logo após a falência do BVA, o Fundo Garantidor de Crédito realizou o depósito a prazo com garantia especial de R$ 22,3 milhões. A partir daí, o Serpros vem tentando reaver o restante do valor aportado.
De acordo com o diretor de Investimento do Serpros, Sérgio Vieira, o trabalho de recuperação vem sendo realizado há algum tempo, sendo que de novembro de 2017 a janeiro de 2018 o fundo de pensão conseguiu resgatar R$ 15 milhões, respaldado pelas garantias. “Temos ações judiciais estão em andamento e gestores que trabalham para essa recuperação dessas dívidas”, diz Vieira. Segundo ele, o Serpros atua com escritórios especializados que estão precificando os ativos e ainda vai contratar uma auditoria para saber qual a situação atual do patrimônio da fundação. “Estamos reavaliando alguns investimentos que estão dentro de fundos para que a gente possa expressar o valor real do ativo no nosso patrimônio”, destaca.
Ainda de acordo com Vieira, o Serpros contabiliza R$ 700 milhões em provisionamentos de ativos de diversos fundos. Ele destaca que ao longo dos últimos anos, foram provisionados mais ativos por não terem sido cumpridas as obrigações com o credor. “A maior parte dos recursos foi provisionada no segundo semestre de 2017”, comenta. Vieira diz ainda que a nova diretoria executiva do Serpros, empossada em agosto do ano passado, está tentando executar todas as garantias que existem, mas os gestores que atuam diretamente na recuperação foram nomeados no período da intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), tendo sido nomeados pelo próprio interventor, Walter Parente. A Previc decretou intervenção no Serpros por duas vezes consecutivas. A primeira delas foi em maio de 2015 e durou um ano, encerrando em maio de 2016. Em setembro do mesmo ano, a autarquia anunciou nova intervenção no fundo de pensão, encerrada em agosto de 2017. Nas duas vezes, Walter Parente atuou como interventor.
Investimentos – Sérgio Vieira também destaca que, em meio a esse trabalho de recuperação, a entidade busca ser cautelosa na política de investimentos, apesar de ter aumentado o risco em renda variável e em multimercados estruturados na política de 2018. “Estávamos com uma política bem restritiva em função do processo de intervenção e vamos abrir essa janela de maneira mais lenta por conta da volatilidade. Em multimercados, vamos operar dentro do limite de 10%.
Para o plano de benefício definido (BD), que é saldado, não vou direcionar o risco em bolsa. Já no plano de contribuição definida (CD), vamos chegar entre 12% a 14% em renda variável, sendo que hoje temos 7,5%”, detalha o diretor.
Ele diz ainda que o Serpros selecionará gestores a partir de fevereiro, após a criação de um manual de risco e a revisão do manual de seleção de gestores. “Não sabemos quantos gestores serão selecionados, mas não devo terceirizar mais do que 10% do valor sob gestão da asset a ser selecionada e mais do que 3% do meu patrimônio”, diz. O Serpros trabalha atualmente com três gestores de renda variável e dois de renda fixa, além de ter um fundo exclusivo do qual a entidade é a própria gestora.