10-09-2013 – 12:15:44
O mercado de renda variável que causou perdas aos investidores recentemente tem entre as razões apontadas pelos analistas de mercado a falta de credibilidade do governo, motivada pela obstinação em regular os retornos do setor privado, o que tem gerado uma forte descrença em relação ao sucesso do programa de concessões no setor de infraestrutura.
Soma-se ao relativamente “novo” problema com o qual o governo tem de lidar a questão já antiga do tamanho do Estado, que faz gastos fiscais onerosos e não refletidos em investimentos expressivos para a FBCF (Formação Bruta do Capital Fixo).
Se o ambiente doméstico não atravessa seu melhor momento, dado os dois fatores acima, perdas adicionais não podem ser descartadas caso esse cenário não passe por uma reversão positiva no curto e médio prazo, uma vez que as agências de classificação de risco não descartam ações nos ratings do país caso os problemas permaneçam sem soluções.
“O Brasil não está crescendo pela incapacidade de fazer novos investimentos”, afirmou Regina Nunes, diretora-geral da Standard & Poor’s, que participou nesta terça-feira (10) do 34° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão (Abrapp), que acontece em Florianópolis (SC).
Rating
Embora tenha ressaltado que, se a agência de classificação já estivesse decidida a rebaixar o rating do país, não teria primeiro o colocado em perspectiva negativa, Regina notou que não são vistas mudanças na política econômica que poderiam levar a uma redução na crescente relação dívida/PIB.
Em tom de alerta, a diretora da S&P destacou que, caso o governo siga com as mesmas políticas fiscais e econômicas que não tem falado a mesma língua do mercado, e criado uma saia-justa com a falta de interessados nos leilões de concessões, a tendência é que o rating do país seja rebaixado para “BBB-“, frente ao atual “BBB” com perspectiva negativa. De acordo com a executiva, de cada três ratings que são colocados em perspectiva negativa pela agência, um se concretiza em rebaixamento.