16-09-2016 – 12:49:23
O Santander revisou sua projeção para a queda prevista para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2016, de uma retração de 3,7% para 3,3% negativos. Após um longo período de deterioração, os economistas do banco passaram a prever variações positivas do indicador a partir do quarto trimestre do ano. “Apesar de termos projetado, há algum tempo, uma evolução mais benigna dos indicadores de confiança e da indústria este ano, isso aconteceu um pouco antes e com maior intensidade frente ao antecipado”, diz o relatório do banco assinado por Mauricio Molan e Rodolfo Margato.
Para 2017, no entanto, os economistas mantiveram sua projeção de um crescimento esperado do PIB na casa de 2%, principalmente por conta da retomada consistente dos investimentos prevista para os próximos meses. “O nosso cenário básico continua mais otimista do que o consenso do mercado (atualmente em +1,3%), mas é importante observar que a discrepância já foi muito maior (o consenso era de +0,5% quando divulgamos, pela primeira vez, a projeção de +2,0%)”, aponta o documento do banco.
Os dois analistas avaliam que os sinais de estabilização da economia brasileira estão ficando cada vez mais claros, e ressaltam o cenário mais favorável do setor industrial, motivado pela expansão das exportações líquidas de bens manufaturados e da produção de bens de capital. Os especialistas destacam também que, embora o setor industrial venha mostrando os sinais mais evidentes de recuperação, outros setores também parecem ter deixado o pior para trás. Como exemplo eles citam uma certa acomodação das vendas de supermercados e dos serviços prestados às empresas. “Contudo, não esperamos que as tendências negativas vistas em outros setores bastante representativos sejam revertidas no curto prazo (por exemplo, construção civil e vendas de bens duráveis)”. Os economistas notam que pontos de virada na economia costumam ser marcados por sinais desiguais entre os setores produtivos.
Para que as projeções se concretizem algumas condições são necessárias, alertam, como o grande comprometimento (e capacidade) do governo com a promoção e execução de medidas de ajuste fiscal, requeridas para a estabilização da razão entre a dívida pública e o PIB em um horizonte de médio prazo. Entre os possíveis riscos para o cenário previsto, os profissionais do Santander apontam uma possível apreciação excessiva da taxa de câmbio por período significativo, reduzindo assim a contribuição líquida do setor externo; e um afrouxamento monetário mais fraco que o esperado, diminuindo a intensidade da retomada dos investimentos.