Saída do Reino Unido da UE vai desvalorizar euro no longo prazo, ...

24-06-2016 – 17:45:13

 

Entre as consequências da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) estão um euro mais desvalorizado no longo prazo e a pressão negativa sobre o mercado de ações, de crédito e de bonds periféricos do continente, segundo Richard Turnill, responsável pelas estratégias globais de investimento da BlackRock. “Acreditamos que a pressão sobre os orçamentos do governo será limitado, tendo em vista que os ‘high-quality’ bonds de governos estão sendo muito demandados em um mundo de taxas de juros reduzidas”, escreve o especialista, em relatório da asset sobre as consequências da saída do Reino Unido do bloco europeu.

Com o resultado do plebiscito, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) deve ter como primeira prioridade, prevê Turnill, prover a liquidez necessária para evitar maior volatilidade no mercado. O estrategista da BlackRock espera que a autoridade monetária inglesa corte a taxa de juros local dos atuais 0,5% para zero nas próximas semanas; e opte pela volta do programa de estímulos à economia conhecido como ‘quantitative easing’ ao invés de levar a taxa de juros para o terreno negativo. “A magnitude e a volatilidade na queda da libra britânica irá direcionar os próximos passos do mercado”, diz o especialista no relatório, no qual afirma também que a desvalorização da moeda local irá beneficiar companhias de grande porte com receitas em outros países, mas setores domésticos, como construção civil, varejo e finanças estarão mais vulneráveis.

Em termos globais, o gestor da BlackRock entende que a decisão britânica tende a derrubar o mercado de ações e outros ativos de risco de maneira generalizada geograficamente. Turnill avalia também que o potencial de venda indiscriminada no mercado pode abrir caminho para algumas oportunidades. “Os mercados americano e asiático serão apenas marginalmente afetados, à medida que tem como suporte um mix de política monetária estimulante e crescimento econômico”.

No âmbito político, com a decisão do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, de renunciar ao cargo após a vitória pela saída da UE, contrária à defendida por ele, outros líderes europeus devem focar suas administrações na redução de medidas populistas pela região, o que tende a aumentar ainda mais as incertezas econômicas e políticas, afirma o profissional da asset americana. “O processo de saída do Reino Unido da UE não será fácil. Acreditamos que ele deve ser um longo e complicado processo, uma vez que os trâmites terão de passar pelo crivo das leis da União Europeia e do Reino Unido”. O Reino Unido, prossegue Turnill, terá de estabelecer novos contratos comerciais com os países que não fazem parte do bloco no continente, além de com todos os demais países do globo. “O potencial de perdas com a queda nos serviços exportados e com os fluxos de saída de investimento tendem a sobrepôr quaisquer benefícios com pagamentos menores direcionados à UE”.

Fitch – O resultado do referendo é negativo para a maioria dos setores do Reino Unido, devido ao enfraquecimento do crescimento e das perspectivas de investimento no médio prazo, além da incerteza sobre futuros acordos comerciais com outros países, afirma a Fitch Ratings. A agência avalia também que o ocorrido trará efeitos “moderadamente negativos” para o crédito soberano do Reino Unido; a Fitch irá “em breve” rever o rating do país. “Qualquer ação de rating negativa no soberano afetaria um número relativamente pequeno de ratings ligados a ele, ou limitados pelo teto país, como infraestrutura, finanças públicas, finanças estruturadas e dívida de bancos garantida pelo governo”.