05-10-2017 – 11:48:05
A F3 Consultoria pode estar inaugurando um novo caminho para as empresas dessa área, ao ter sido contratada pela Sabesp para ajudá-la a entender os investimentos da Sabesprev. Segundo o responsável pela área de relações com institucionais da F3, Rodrigo C. Pereira, a demanda por esse tipo de serviço deve crescer em consequência da operação Greenfield, da Polícia Federal, que despertou as patrocinadoras para o risco de irregularidades nas operações de seus fundos de pensão.
Para as patrocinadoras, entender os limites, as estruturas, os riscos e a governança de algumas operações de investimento pode ser uma tarefa complicada, uma vez que essas devem ser analisadas à luz de uma legislação própria, que é a Resolução 3792 que regula os investimentos dos fundos de pensão. “Não fomos contratados para analisar os investimentos da Sabesprev, mas para ensinar a patrocinadora a entendê-los e analisá-los”, destaca Pereira.
A contratação da consultoria pela Sabesp foi feita através de licitação, que contou com a participação de 15 empresas de consultoria e auditoria, num processo que começou em maio deste ano terminou no final de setembro com o anúncio da vitória da F3. O contrato da empresa com a Sabesp terá a duração de 90 dias, durante os quais a F3 trabalhará junto ao departamento de auditoria da Sabesp para mostrar os aspectos relevantes de governança e controladoria que devem ser observados na análise dos investimentos da fundação.
A F3 surgiu há 5 anos tendo como cliente único a Odeprev, fundo de pensão da Odebrecht. De um ano para cá a empresa resolveu ampliar o leque de clientes, tendo contratado Pereira, que é ex-superintendente de relações com institucionais do Itaú, para ajudá-la na tarefa. A consultoria já conta hoje com 5 clientes, que incluem além da Odeprev também a Duprev (da Dupont), a Sabesp (patrocinadora) e duas outras fundações que não autorizam a divulgação de seus nomes.
Além dos serviços de consultoria e advisory, a F3 faz também a gestão de fundos exclusivos para seus clientes, basicamente de renda fixa ativa e funds of funds. Para evitar conflito de interesses, a consultoria cobra uma taxa fixa pela gestão, como consultora, independente da variação do PL dos fundos. “Não temos interesse em aumentar o volume sob gestão dos fundos, não ganhamos por volume”, explica Pereira. “Se vem mais dinheiro para o fundo não ganhamos nada a mais com isso”. Segundo ele, a F3 tem R$ 2 bilhões alocados nesses fundos exclusivos.