Rentabilidade em 2013 é a menor da série histórica, aponta Mercer

20-02-2014 17:36:10

 

 

Os fundos de pensão do país encerraram 2013 com rentabilidade de 0,86%, segundo levantamento da consultoria Mercer. Este foi o pior resultado da série histórica, apurada pela instituição desde 2001. O segundo pior desempenho do segmento foi em 2008, com a queda acentuada da renda variável provocada pelo auge da crise financeira mundial. Ainda assim, na ocasião o ganho das carteiras de fundos de pensão foi de 1,41% na média do ano.

 

De acordo com o levantamento, o desempenho de 2013 também foi pressionado pelas carteiras de renda variável, que registraram perdas de 4%. Mas diferente de 2008, o desempenho do ano passado foi pressionado negativamente pelos ativos de renda fixa, que apresentaram ganhos de apens 1,69%.

 

Segundo Raphael Santoro, consultor de investimento da Mercer, parte do desempenho mais fraco das carteiras no ano passado pode ser explicado pela forte desvalorização de benchmarks como IMA-B 5+ (-17,07%), IMA-B (-10,02%) e Ibovespa (-15,50%), desempenhos muito inferiores aos aguardados pelos gestores no começo de 2013. A previsão de rentabilidade para esses benchmarks era de 6,38%, 6,39% e 11,56%, respectivamente.

 

No total, apenas 44,6% das carteiras atingiram a meta estipulada para o período. Para o estudo, foram analisadas 335 carteiras de fundos de pensão, que somam R$ 23,5 bilhões em ativos.

 

Para 2014, Santoro recomenda que os fundos apostem mais na diversificação. “Embora a legislação permita que eles apliquem até 30% de seus patrimônios em renda variável, apenas 13,5% de seus recursos estavam alocados nesse tipo de ativo no ano passado”, diz.

 

Entretanto, a estratégia de investimento dos gestores já apresenta sinais de mudança, conforme destaca Santoro. Levantamento da Mercer aponta que, dentro da renda fixa, os fundos têm elevado interesse por ativos pós-fixados e de crédito, ao passo que as maiores apostas em 2013 eram os prefixados e títulos atrelados à inflação.

 

Perspectivas

Para 73% dos gestores entrevistados, papéis pós-fixados representam uma boa oportunidade de investimento este ano – em 2013, apenas 14% apostavam no ativo. Já 47% dos gestores enxergam nos fundos de renda fixa uma alternativa para gerar ganhos acima do CDI. Dentro desse segmento, o DPGE e as debêntures devem ficar com as maiores alocações.

 

No quesito renda variável, os gestores têm mostrado mais interesse em investimentos no exterior. Ao todo, 75% dos fundos enxergam nos ativos estrangeiros uma opção rentável para 2014. “O mercado acionário brasileiro é muito concentrado em poucos papéis. Só no Ibovespa, por exemplo, quinze ações representam mais de 70% do índice. No exterior, há mais de 5 mil ações disponíveis, então há mais flexibilidade para montar estratégias diferentes”, afirma. “Entretanto, há muitas limitações legais ainda para que os fundos de pensão possam investir mais lá fora”, complementa.