Regulamentação do governo impacta confiança do mercado, aponta BN...

26-08-2014  –  16:13:21

 

Para os departamentos de relações com investidores (RI) de empresas brasileiras, o excesso de regulamentação do governo era o fator de maior impacto na confiança do mercado global em 2013, de acordo com pesquisa realizada pelo BNY Mellon. Em 2012, as companhias brasileiras apontaram o risco sistêmico de mercado como a maior preocupação. Já no âmbito mundial, risco sistêmico e o risco político foram os principais problemas apontados no ano passado, enquanto em 2012, a preocupação girava em torno da estabilidade da zona do euro.

A pesquisa, realizada entre setembro e outubro de 2013, consultou 693 empresas em 63 países, sendo 46 brasileiras. Além das preocupações dos departamentos de RI das empresas, o estudo aponta que as principais metas para 2014, entre 53% dos diretores da área consultados no Brasil, são aumentar a liquidez e ampliar ou melhorar o envolvimento com acionistas. Esta última meta também é prioridade para 51% dos diretores de RI globalmente.

Já no que diz respeito a tendências da área, as empresas brasileiras procuram manter uma abordagem cada vez mais formal com investidores visando uma melhor gestão de riscos em potencial. Políticas de divulgação foram adotadas por 85% das empresas brasileiras consultadas, contra 75% das empresas no mundo todo.

Para os próximos cinco anos, as empresas brasileiras creditam que o país será fonte de investimento por conta de sua importância estratégica. Mundialmente, o Brasil foi apontado pelas empresas como a nona mais importante fonte estratégica de capital nos próximos cinco anos.

Apesar de demonstrar as tendências e preocupações dos departamentos de RI das empresas, a pesquisa não abrange o lado dos investidores e gestores de recursos. De acordo com Guy Gresham, diretor de inteligência em relações com investidores do BNY Mellon, há similaridades entre o que essas empresas oferecem e as necessidades dos investidores, mas os focos podem ser diferentes.

“No Brasil, por exemplo, talvez em termos de foco da economia doméstica, as empresas dão muita importância a esses pontos, enquanto investidores estão ativos buscando oportunidades”, explica Gresham. “Os investidores não são tão conduzidos pela situação econômica. É um ponto importante, mas não é o ponto principal que os direciona”. Por conta disso, para o próximo ano o BNY Mellon prepara uma pesquisa que aborde também o lado dos investidores institucionais e das assets.

Investidores estrangeiros

Por outro lado, uma pesquisa realizada pelo BNY Mellon em julho deste ano com 11 investidores da América do Norte, cada um com cerca de US$ 13 bilhões em ativos no Brasil, aponta que o resultado das eleições será o maior foco da comunidade de investidores nos próximos 12 a 18 meses. O ambiente macroeconômico também é uma questão importante para esses investidores, sendo os pontos-chave a serem observados as taxas de desemprego e inflação, padrões de gastos discricionários e mudanças nas taxas de juros e no câmbio.