Reeleição de Dilma não traz perspectiva de mudança na economia, d...

29-10-2014  –  09:53:12

 

Para o economista Alexandre Schwartsman, a reeleição de Dilma Rousseff para um segundo mandato pode ser entendida pelo governo como uma aprovação das políticas econômicas adotadas nos últimos quatro anos. Tendo isso em vista, o economista diz que é pouco provável que haja grandes mudanças nesse âmbito. “Parece que a população gostou da política econômica. Seja por convicção ou resultado eleitoral, não há incentivo para mudar a política econômica atual”, diz Schwartsman.

 

Apesar de ter sido uma disputa acirrada nas urnas, com uma diferença de apenas 3,4 milhões de votos, o economista acredita que a visão do governo é de uma sinalização positiva para essas políticas. “Tenho a impressão de que essa é a visão que prevalece na cúpula do governo”. Ainda assim, Schwartsman opina que isso pode mudar com uma possível candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. “O Lula, pensando em 2018, não gostaria de ver uma situação semelhante a que temos hoje. Mas isso é pura especulação”.

 

Para o economista, são muitas as mudanças que o governo deveria fazer daqui pra frente para evitar um rebaixamento no rating por agências de risco. “A agência de risco vai olhar o desenvolvimento fiscal. Temos um superávit primário que, se medido de forma correta, é negativo. A dívida bruta, que é o que agências olham, é de 66% do PIB. Não tem crescimento. A inflação é alta. É preciso fazer um ajuste fiscal, fazer a moeda flutuar e controlar a inflação. Isso é o oposto do que ocorreu nos últimos anos”, salienta Schwartsman.

 

O economista diz ainda que é preciso ter um movimento muito forte para uma mudança maior e uma das sinalizações seria colocar no Ministério da Fazenda alguém que mostre que as rédeas da política econômica não estão mais na mão da presidente. Ao ser questionado sobre aos nomes que têm sido cotados para ocupar a pasta, entre eles Luiz Carlos Trabuco Cappi (presidente do Bradesco), Eduardo Loyo (economista-chefe do BTG Pactual) e Henrique Meirelles (ex-presidente do BankBoston e do Banco Central do Brasil), Swchartsman declara: “Como explicar que uma presidente que criticou tanto independência do Banco Central para tirá-lo das mãos dos bancos vai dar o ministério para um banqueiro?”. Ele considera uma contradição se algum desses nomes for confirmado.