26-10-2015 – 11:45:34
As projeções de inflação continuam aumentando semana após semana, segundo informações do Boletim Focus do Banco Central. Para 2015, a mediana do IPCA no curto prazo já alcança 10,05% de acordo às projeções do grupo Top 5 – aqueles com maior índice de acerto nos últimos meses. Já a média do IPCA 2015 do grupo Top 5 é ainda maior, de 10,15%, ante 9,82% da semana anterior.
Para a gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patrícia Pereira, um dos fatores que devem contribuir para a elevação do IPCA ainda neste ano é o provável retorno da Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) sobre os combustíveis. “Com a perspectiva de não aprovar a CPMF no Congresso, há uma maior probabilidade que o governo recorra ao retorno da Cide”, prevê Patrícia.
A gestora prevê IPCA 2015 a 9,70% sem a Cide, mas com a volta do imposto, a projeção salta para 10,20%. “O retorno da Cide deve gerar um aumento de 0,5% no IPCA ainda neste ano”, diz Patrícia.
As projeções do IPCA para 2016 também continuam em ascensão, segundo Boletim Focus. A mediana nas projeções do IPCA de 12 meses, ou seja, de setembro de 2015 e agosto de 2016, já atinge 6,50%, que é o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. A pressão inflacionária, apesar de menor que 2015, ainda deve permanecer elevada no próximo ano devido ao impacto de um câmbio mais depreciado. O mercado projeta também um aumento maior dos preços administrados também para 2016.
Novidade – O fato novo é que o comunicado do Copom (Comitê de Politica Monetária) da semana passada não fez menção ao objetivo de levar a inflação ao centro da meta (4,5% ao ano) em 2016 como vinha fazendo nos últimos pronunciamentos. O mercado interpretou que o Banco Central, então, deve buscar o atingimento do objetivo apenas para 2017.
As projeções para a Selic em 2015 continuam estáveis, em 14,25%, mas aumentaram para o próximo ano. O mercado já espera uma Selic em 13% no final de 2016, ante 12,75% da projeção da semana anterior. Já o dólar deve terminar o próximo ano mais apreciado, a R$ 4,20, ante mediana de R$ 4,13 da semana anterior.