Plano complementar garante 35% do salário na aposentadoria, diz M...

29-05-2014 15:10:54

 

 

Os planos de previdência complementar têm garantido uma aposentadoria mensal que corresponde a apenas 35% do último salário recebido pelo funcionário quando estava na ativa. O dado faz parte de uma pesquisa da Mercer, realizada com 494 planos de previdência complementar do país, e leva em consideração a aposentadoria após 30 anos de contribuição.

 

De acordo com o levantamento, os benefícios pagos pelos planos disponíveis no mercado poderiam chegar a 52%, mas a prática fica muito aquém desse percentual por conta do tempo real de contribuição dos atuais participantes, que não chega a 30 anos, o percentual de contribuição e resgates antecipados.

 

“Há três formas de resolver: ou os planos rendem mais, ou as pessoas passam a contribuir com um percentual maior do salário, ou elas começam a se aposentar mais tarde”, afirma Geraldo Magela, responsável pela área de previdência da Mercer.

 

Para quem ganha até R$ 4.160, o teto do INSS, a contribuição mensal deveria passar de 5% para 8% para que o benefício que ela deverá receber na aposentadoria seja mais compatível com suas despesas na terceira idade. Já quem recebe entre R$ 4.160 e R$ 10 mil, a contribuição deveria passar de 10% para uma faixa entre 13% e 19%. Os profissionais que têm salários acima de R$ 10 mil precisariam elevar essa quantia dos atuais 10% para 18%. “Se elevássemos o tempo de contribuição de 30 para 40 anos, os percentuais não precisariam mudar”, pondera Magela.

 

O executivo destaca, ainda, que 90% das pessoas que saem da empresa encerram os seus planos de previdência complementar patrocinados pela companhia, resgatando todo o dinheiro aplicado até então.

 

Aumento das despesas

 

Não é só a rotina que muda quando chega a aposentadoria. Os níveis de despesas também sofrem sérias alterações. Segundo a pesquisa da Mercer, para 33% dos aposentados, os gastos subiram quando deixaram de trabalhar. Para o levantamento foram entrevistados 1500 aposentados de planos de previdência complementar.

 

Ao todo, 52% tiveram de rever suas despesas para adequá-las ao novo nível de renda. Destes, 65% conseguiram ajustar o orçamento. No geral, para 40% dos entrevistados foram os gastos com saúde os que mais subiram – puxados pelo aumento nos custos de planos de saúde privados.

 

Para poder equilibrar as contas novamente, a metade dos aposentados (49%) teve de retornar ao mercado de trabalho.

 

“Como o nível de despesas cresceu, o ideal não seria mais buscar se aposentar com 100% da antiga renda, mas sim com 120%, para os salários até o teto do INSS. Para os que ficam acima disso, o melhor é tentar garantir de 80% a 100% desse valor”, complementa Magela.