24-04-2015 – 12:03:19
Os dois maiores fundos de pensão do país, a Previ e a Petros reduziram a participação no conselho de administração da BRF – empresa do ramo alimentício criada em 2009 a partir da fusão com a Sadia e a Perdigão. A Previ tinha dois membros do conselho, Sérgio Rosa e Paulo Assunção de Sousa e, de acordo com deliberação da última assembleia geral, ocorrida no início de abril, passou a contar com apenas um. O atual diretor de participações da Previ, Marco Geovanne Tobias da Silva, assume a vice-presidência do conselho da BRF no lugar de Sérgio Rosa. O atual presidente do conselho da companhia, Abílio Diniz, foi reconduzido para o posto.
Sérgio Rosa foi presidente da Previ entre 2003 e 2010. Após deixar a presidência do fundo de pensão, continuou como representante em alguns conselhos de empresas das quais a Previ mantinha participação acionária. Mas a medida que foram vencendo os mandatos dos conselhos, ele foi sendo substituído por outros indicados da fundação.
Já a Petros, que também tinha dois membros no conselho da BRF, não indicou nenhum representante para o novo mandato. Os representantes anteriores eram Carlos Fernando Costa e Luís Carlos Afonso, ambos ex-presidentes do fundo de pensão. A Petros nomeou uma nova diretoria a partir do mês de fevereiro, comandada pelo novo presidente Henrique Jager. Na mudança dos membros do conselho da BRF, porém, decidiu não indicar ninguém.
A direção da Petros respondeu por meio de nota que não indicou nenhum conselheiro porque se sente representada pelos novos membros do conselho de administração da BRF. A nota explica ainda que não houve divergência entre o fundo de pensão e a chapa encabeçada por Abílio Diniz e por Marco Geovanne. “Prova disso é que [a Petros] apoiou a chapa proposta pela empresa”.
A Valia, fundo de pensão dos funcionários da Vale, mantém a representação com um membro do conselho, que é Manoel Cordeiro Silva Filho, que tem como suplente o diretor de investimentos da fundação, Maurício Wanderley. Cordeiro é ex-diretor da Valia e continua como representante do fundo de pensão no conselho da empresa.
Os fundos de pensão possuem participação relevante na BRF devido ao controle que detinham na Perdigão, desde a década de 90. Quando houve a fusão com a Sadia em 2009, as fundações reduziram a participação relativa, mas ainda mantiveram posições expressivas na companhia. A Petros detém atualmente 12,5% do controle da companhia, enquanto a Previ, 11,5%. As duas fundações são as maiores acionistas individuais da empresa.
Nomes de peso
A nova composição do conselho da BRF traz alguns nomes conhecidos do mercado, na figura de conselheiros independentes. Um deles é o ex-presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul. Outro nome é o de Vicente Falconi, consultor de empresas, que realizou um trabalho de plano estratégico para a BRF. O ex-ministro do desenvolvimento e ex-presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan, continua como membro do conselho.
Completam o quadro de conselheiros da BRF, Walter Fontana Filho, José Carlos Magalhães Neto e Paulo Guilherme Farah Correa.