Petros vende participação na Itaúsa por R$ 4,51 bilhões

18-12-2017 – 12:52:08

 

A Petros concluiu na sexta-feira, 15 de dezembro, em leilão realizado na B3, a venda de 431,17 milhões de ações ordinárias, que correspondiam a 15,27% do capital ordinário, ou 5,76% do capital total da Itaúsa, zerando posição no ativo. Os papéis foram comprados pela Fundação Antonio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional de Beneficência. 

Com a efetivação da venda, R$ 4,519 bilhões entrarão no caixa da Petros, “resultando em maior flexibilidade na gestão da carteira do Plano Petros do Sistema Petrobras (PPSP), de benefício definido, que concentrava quase a totalidade do ativo (98%). Os 2% restantes estavam alocados no Plano Petros-2 (PP-2), de contribuição variável”, informa a Petros, em comunicado.

O resultado final do certame foi de R$ 10,50 por ação, valor 13% superior à cotação média de R$ 9,29 do papel nos últimos 12 meses. Considerando o aporte na Itaúsa, realizado inicialmente em dezembro de 2010, a rentabilidade do ativo (55,91%) ficou descolada da meta atuarial projetada para o período (126,39%). Por outro lado, foi superior ao índice de referência para a renda variável do PPSP, o IBrX, que obteve alta de 33,04% no período. Somente nos últimos 24 meses o ativo valorizou 73%.

“A venda de Itaúsa está em linha com as diretrizes estabelecidas na Política de Investimentos para o PPSP e com nossa estratégia de racionalizar a alocação da carteira frente à dinâmica do passivo do plano. O volume de recursos obtidos com a venda vai proporcionar maior flexibilidade para buscarmos oportunidades de investimentos mais apropriadas ao perfil de risco do PPSP, que é um plano maduro, com uma carteira de investimentos pouco adequada aos seus compromissos atuariais”, disse Walter Mendes, presidente da Petros.

“Considerando os volumes negociados no último mês, a venda dessa posição sem causar impacto relevante no preço das ações, dada sua baixa liquidez, demandaria cerca de 119 anos para que fosse completada”, acrescenta Daniel Lima, diretor de Investimentos do fundo de pensão. A decisão de venda da participação em Itaúsa foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da Petros, instância máxima de governança da entidade.

Apuração interna – Assim como outros investimentos decididos no passado e que também foram alvo de denúncias, a Itaúsa tornou-se objeto de uma Comissão Interna de Apuração (CIA) constituída na Petros para investigar, especificamente nesse caso, o processo de decisão para a aquisição do ativo.

Os resultados das apurações internas foram encaminhados às autoridades competentes, seguindo procedimento de colaboração adotado desde o início das investigações sobre investimentos em fundos de pensão. Também existe a possibilidade de processos de responsabilização de ex-dirigentes no intuito de buscar ressarcimento e de defender a imagem da instituição, iniciativa que já está em andamento com o apoio de escritório de advocacia contratado.