Perspectiva de rebaixamento da Moody’s não afeta mercado no momen...

11-09-2014  –  15:25:54

 

A alteração da agência de classificação de risco Moody’s na perspectiva de nota dos títulos do governo brasileiro, de estável para negativa, não afetará o mercado em um primeiro momento, segundo o economista Alexandre Schwartsman. Para ele, o que a Moody’s está refletindo é o que as pessoas do mercado já refletiram, que o crescimento do país está baixo.

Atualmente a classificação de risco dos títulos brasileiros dada pela agência é Baa2. A Moody’s classifica o Baa1, Baa2 e Baa3 como grau de investimento com qualidade média. “Mesmo se ocorrer de fato o rebaixamento, ainda estaríamos dentro do grau de investimento. A complicação é na fronteira disso, se as políticas do governo continuarem assim”, explica o economista.

Para Schwartsman, a reeleição da presidente Dilma Rousseff deixa mais provável a manutenção das políticas econômicas que geraram o baixo crescimento do país. “Se ela acreditasse nas medidas que são necessárias para mudar esse cenário, ela teria tomado, mas não tomou. Então isso torna mais provável que o cenário fique inalterado”, opina.

Já a adversária Marina Silva, que vem batendo de frente com Dilma nas pesquisas de intenção de voto, possui propostas para economia que vão mais ao encontro da visão de Schwartsman em relação a mudanças, principalmente no que diz respeito à política fiscal. “São medidas que, se adotadas, teriam efeito, mas precisam acontecer. O que temos hoje são apenas as palavras da candidata”.

Entre as propostas da candidata Marina Silva para a economia estão metas críveis para a inflação, câmbio livre sem intervenção do Banco Central (BC), assegurar a independência do Banco Central, e utilizar políticas fiscais e monetárias como instrumentos de controle de inflação no curto prazo.

Já a presidente Dilma Rousseff sinalizou uma possível saída do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, da pasta em um eventual segundo mandato, o que, na opinião de Schwartsman, não muda nada. “Quem manda é a presidente, não o ministro”, diz o economista.