04-12-2015 – 17:09:54
A incerteza econômica e política do atual cenário doméstico, que aumenta com o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, tende a elevar ainda mais a volatilidade no mercado, na avaliação de Jose Carlos Faria, economista-chefe do Deutsche Bank. Embora o Ibovespa tenha subido mais de 3% no pregão seguinte a aceitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff – nesta sexta-feira o índice já devolve os ganhos e recua mais de 2% – o economista destaca que o ambiente nas próximas semanas pode não ser tão positivo assim como alguns agentes tem precificado.
Os participantes do mercado, destaca o especialista, parecem acreditar que o impeachment da presidente pode pavimentar um caminho que ajude o país a sair da crise em que se encontra com a formação de uma nova coalização governamental com melhor capacidade de atravessar os obstáculos econômicos que o país enfrenta. “Entretanto, há algumas complicações importantes em nossa visão”. Em primeiro lugar, Faria lembra que o processo de impedimento da presidente eleita está longe de ter um claro desfecho; o economista nota que Dilma precisa de apenas 171 votos, de um total de 513 no Congresso, para impedir o processo. “Se ela conseguir, o risco de outro pedido de impeachment será muito menor”.
Além disso, conforme o processo de impeachment toma corpo, ressalta Faria, o governo pode ter ainda mais dificuldades em aprovar as medidas do ajuste fiscal, e a consequente incerteza durante esse período contribui para manter a economia paralisada. O especialista cita também a “enorme incerteza” sobre o dia seguinte a um eventual impeachment. “O novo presidente provavelmente teria um tempo muito curto para formar uma coalização forte no Congresso para propôr uma agenda de medidas emergenciais e reformas estruturais capazes de estabilizar a economia, antes de o PT se reagrupar e iniciar a oposição às reformas mirando as eleições de 2018”.
No relatório o economista do banco alemão falou também sobre o que espera para o rumo da política monetária do BC em 2016. Em seus últimos comunicados ao mercado, a autoridade monetária, admite Faria, deu passos em direção a um novo ciclo de aperto monetário, decisão que para ser ratificada ainda depende dos novos dados de inflação a serem divulgados. No entanto, o Deutsche segue com a aposta em seu cenário base de que a Selic não será elevada no ano que vem, diante da recessão que a economia atravessa. “Também entendemos que o pedido de impeachment da presidene tende a reduzir as chances de um aumento dos juros”.