“Novo governo cede terreno ao primeiro sinal de dificuldade”, apo...

08-09-2016 – 17:46:01

 

A primeira batalha enfrentada pelo governo de Michel Temer, sobre a renegociação das dívidas dos Estados, trouxe sinais preocupantes de que o novo governo cede terreno ao primeiro sinal de dificuldade, diz o relatório do fundo Verde, da asset de mesmo nome, referente ao mês de agosto. As próximas batalhas, especialmente a da previdência, tendem a ser muito mais duras, notam os especialistas da gestora.

Ainda de acordo com o documento do Verde, os mercados parecem refletir uma visão de que não há um problema fiscal estrutural no país, e que a volta do crescimento será tão forte e rápida quanto foi a desaceleração; “em que país do mundo foi assim no pós-crise?”, questionam os gestores do Verde, que citam ainda a aparente crença dos investidores de que seguidas pequenas derrotas fiscais não cobram preço a médio prazo. “Nossa discordância em relação a esses pontos tem nos mantido à margem da euforia recente”. Os especialistas notam que a saga do impeachment parece ter chegado ao fim, mas a guerra das reformas, condição necessária, mas não suficiente para o crescimento do Brasil, ainda está no início.

Em relação ao ambiente internacional, o relatório do Verde destaca que o verão no Hemisfério Norte historicamente é um período de calma nos mercados. Em 2016, entretanto, essa calmaria atingiu proporções épicas – a volatilidade da maior parte das classes de ativos está nos níveis mais baixos em décadas; o S&P 500, por exemplo, completou em 1 de setembro 39 dias consecutivos sem oscilações acima de 1%, sequência tão rara que aconteceu uma vez nos últimos vinte anos, ou apenas cinco vezes nos últimos trinta anos.

A combinação de juros muito baixos, prossegue o documento do fundo, com volatilidade também baixa, funciona como estímulo para que o nível de risco aumente no mercado, o que tem beneficiado países com juros altos, como o Brasil, e levado os mercados de ações globais a subirem. Os gestores do Verde ressaltam que a maioria dos investidores usam volatilidade como sinônimo de risco, e, portanto, menos volatilidade representaria menos risco, o que permite posições maiores e mais agressivas. E é esse o contexto global atual, pontuam os especialistas, uma calmaria “eterna enquanto dure” que está fazendo os preços de ativos subirem sem muito obstáculo. “Estamos preocupados com esse ambiente e o nosso viés é ter menos risco do que mais. Um eventual aumento da volatilidade deve forçar uma desmontagem de posições e nos oferecer oportunidades interessantes”.