10-08-2015 – 17:16:46
Apesar da rentabilidade positiva em julho e no acumulado do ano, os fundos multimercados lideram os resgates líquidos da indústria em 2015. No mês passado, por conta da valorização de 9,39% do dólar, os fundos cambiais e os multimercados que apostam na divisa americana e nos investimentos no exterior tiveram as melhores rentabilidades do mercado – o maior retorno foi alcançado pelos multimercados da subcategoria macro, com alta de 4,99% em julho, que chega a 16,8% em 2015. No entanto, a despeito do desempenho apresentado, os fundos multimercados também foram os que registraram os maiores resgates da indústria no mês passado, de R$ 8,7 bilhões. Outra categoria que teve saída expressiva de recursos em julho, de R$ 5,7 bilhões, foi a dos fundos de curto prazo. “Note‐se, contudo, que os resgates observados nessas categorias foram concentrados, respectivamente, em fundos pertencentes aos segmentos corporate e poder público, ao que tudo indica em função de necessidades específicas desses investidores”, destaca a Anbima, responsável pelos dados, em nota.
Puxada pelos multimercados e pelos fundos de curto prazo, a indústria de fundos teve resgate líquido de R$ 11,2 bilhões em julho, o que reduziu a captação líquida positiva no acumulado do ano para R$ 22,3 bilhões. O resgate líquido do mês passado foi amenizado pelos fundos Referenciado DI, que tiveram captação líquida de R$ 7,1 bilhões no período, com forte concentração no público de varejo. Além do mês de julho, os Referenciado DI também tem forte captação líquida no acumulado de 2015, com R$ 22,7 bilhões. Eles ficam atrás apenas dos fundos previdenciários, que tem captação de R$ 22,9 bilhões no ano. Embora apresentem as maiores rentabilidades no ano, os multimercados lideram os resgates com R$ 24,6 bilhões, seguidos pelos fundos de ações, com saídas de R$ 10,8 bilhões.
O elevado patamar da taxa Selic tem beneficiado a rentabilidade dos fundos Referenciado DI, que subiram 1,19% em julho, e 7,28% no ano, assim como os de curto prazo, que avançaram 1,17% mês passado, e 7,13% em 2015. Por conta da revisão da meta fiscal, a curva de juros futuros teve uma forte abertura, o que se refletiu em uma valorização menor dos fundos incluidos na família Renda Fixa Índices, que teve valorização de 0,69% em julho, mas que ainda sobe 8,11% no ano. A performance dos indicadores da indústria, como os fundos IMA, também foi influenciada pela dinâmica atual da política monetária do BC – o IRF-M avançou 1,23% em julho, e 6,48% em 2015, enquanto o IMA-B caiu 0,73% no mês passado, mas ainda acumula uma alta de 7,55% no ano. Na categoria dos fundos de ações, o resgate líquido foi de R$ 1,3 bilhão em julho, o que aumentou as saídas de 2015 para R$ 10,8 bilhões. Apesar disso, o segmento Ações Ibovespa Ativo tem valorização de 4,19% no ano, e o Ações Livre, de 4,26%. Apenas Ações Small Caps, com queda de 5,33%, tem retorno negativo na indústria de fundos de ações no ano.