25-02-2015 – 16:36:30
Após o rebaixamento do rating da Petrobras anunciado nesta terça-feira, 24, pela Moody’s, o mercado volta as atenções para as revisões das duas outras agências internacionais, a Fitch e a Standard & Poors. A Moody’s anunciou a perda do grau de investimento, ao rebaixar o rating da Petrobras de Baa3 para Ba2. Se uma segunda agência seguir o mesmo caminho, um grande número de fundos de investimentos soberanos serão obrigados a vender os ativos da estatal brasileira.
“Ainda existe um ambiente de dúvida que depende da atitude das outras duas agências. A questão é que os processos de revisão não necessariamente são imediatos, em geral, são trimestrais, por isso, podem demorar mais algum tempo”, explica Arturo Profili, sócio-fundador da Capitânia e gestor de fundos estruturados. O gestor não acredita que necessariamente as outras duas agências vão apontar a perda do grau de investimento, assim como fez a Moody’s.
Em todo caso, o impacto do downgrade sobre os ativos da Petrobras e demais empresas brasileiras negociadas no exterior continua afetando seus preços. Os ADRs da Petrobras são negociados com forte queda, de mais de 8%, na bolsa de Nova York. O mercado, porém, já vinha derrubando os preços dos ativos da Petrobras nos últimos meses e, daqui em diante, pode ser que comece um processo de recuperação. “Os preços já estavam bastante descontados, pois estavam caindo nos últimos 120 dias”, diz Profili. Ele explica que o ambiente vai ficar cada vez mais complexo para análises e projeções daqui em diante.
Ativos no mercado doméstico
Focada em ativos de crédito privado, a Capitânia continua buscando oportunidades no mercado doméstico mesmo em face do acirramento da crise da Petrobras. “Continuamos analisando oportunidades no crédito privado tanto emissões primárias quando no mercado secundário”, diz o sócio-fundador da Capitânia. O gestor explica que obviamente tem se distanciado de ativos diretos das construtoras e empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato que investiga a corrupção na Petrobras.
Ele esclarece que as oportunidades estão mais concentradas em papeis de subsidiárias das construtoras e holdings e que continuam com fundamentos saudáveis. Como exemplo, o gestor cita os ativos da CCR (Concessões de Rodovias) que é um empresa que tem como acionista a Andrade Gutierrez, envolvida na Lava Jato. “São ativos de subsidiárias, são as filhinhas das empreiteiras, mas que permanecem praticamente blindadas”, diz Profili.
A Capitânia tem atualmente R$ 2 bilhões de ativos sob gestão, dos quais cerca de dois terços são de crédito privado.