22-07-2016 – 15:11:27
Um levantamento trimestral realizado pela Northern Trust Asset com cem gestoras de recursos entre os dias 3 a 17 de junho mostrou que 57% delas avaliam que o mercado acionário nos países emergentes é atualmente o mais subvalorizado entre as opções existentes. Trata-se do maior percentual entre as regiões analisadas. A pesquisa informou também que um número maior de gestores de recursos avalia o mercado acionário dos Estados Unidos com uma valorização excessiva, o que os leva a um nível de caixa acima da média em seus portfólios. De acordo com o estudo, preocupações com a recuperação do mercado de trabalho, com incertezas políticas e com a volatilidade do mercado pesaram na percepção dos gestores.
A visão dos gestores à respeito do valuation do mercado acionário americano atingiu o menor patamar histórico da pesquisa, com apenas 18% dos entrevistados avaliando a bolsa dos Estados Unidos subvalorizada, enquanto aqueles que enxergam as ações americanas sobrevalorizadas atingiu 46% do total, o patamar mais alto já registrado pela pesquisa. “As perspectivas para o crescimento da economia americana, para o mercado de trabalho e para os resultados corporativos ainda são bastante positivos”, diz Christopher Vella, CIO (chief investment officer, em inglês) da área de ‘multi-manager solutions’ da Northern Trust. “No entanto, na margem os gestores estão menos otimistas com alguns indicadores econômicos e financeiros na comparação com o trimestre anterior”. Entre as classes de ativos mais sobrevalorizadas, os gestores citaram os ativos globais do setor imobiliário, seguidos pelas ações ‘high-yield’ e as do setor de infraestrutura. Os setores menos sobrevalorizados apontados foram os de dívida no mercados emergentes e os ‘high-yield’ bonds.
Entre os resultados positivos da pesquisa, 42% dos gestores acreditam que o PIB dos Estados Unidos irá acelerar ao longo dos próximos seis meses, ante os 37% do levantamento anterior, e os 25% no fim de 2015. Além disso, quase 60% dos gestores esperam que a recuperação do mercado de trabalho prossiga em patamar similar ao atual no próximo semestre. Entretanto, 1/3 dos gestores preveem que o mercado de trabalho deve desacelerar nos próximos meses, acima dos 19% registrados na média histórica do levantamento. E apenas 6% acreditam que a recuperação do mercado de trabalho vai acelerar, próximo ao menor patamar desde que a Northern Trust iniciou essa pergunta em suas pesquisas, no segundo trimestre de 2011.
O estudo mostrou também que 33% dos gestores esperam que a taxa de juros seja elevada nos próximos três meses, abaixo dos 40% na pesquisa anterior. Já 68% deles acreditam que o Federal Reserve irá aumentar os juros somente uma vez ao longo do segundo semestre, e apenas 10% esperam que o banco central americano não promova alterações nos juros em 2016.
Riscos – Entre os principais riscos para os mercados acionários citados pelos gestores, o que ficou em primeiro lugar foi a preocupação com o crescimento econômico dos mercados emergentes. Em seguida aparecem uma eventual desaceleração da economia americana; os resultados corporativos das companhias americanas; e as eleições presidenciais dos Estados Unidos. A eleição presidencial subiu da oitava posição na pesquisa anterior para a quarta no ranking de riscos enxergados pelos gestores.
Tendo em vista os diversos riscos que podem afetar o mercado financeiro, 2/3 dos gestores, ante 53% na pesquisa anterior, esperam que a volatilidade do mercado irá aumentar nos próximos seis meses. “Um número crescente de gestores está se tornando mais defensivo”, afirma Mark Meisel, gestor sênior de produtos de investimento da área de ‘multi-manager solutions’ da Northern Trust. “Embora não seja uma alteração expressiva, uma minoria significante está alocando mais recursos em caixa, ou indicando uma aversão ao risco maior na comparação com as pesquisas anteriores”.
Um em cada cinco gestores, ou 21%, responderam que estavam com um nível de caixa acima do normal durante os últimos meses; 12% dos entrevistados responderam que estavam com um nível de caixa acima do normal na média histórica da pesquisa, que mostrou também que 73% dos gestores, percentual pouco abaixo da média histórica, tem uma alocação em caixa dentro do patamar usualmente adotado. Os gestores que se mostraram mais avessos ao risco em relação a três meses atrás aumentaram para 29%, frente aos 22% do levantamento passado. Em outra pergunta da pesquisa que mede o viés defensivo dos especialistas, 22% deles aumentaram suas exposições ao mercado de commodities, ante a média histórica de 14%.
Incertezas – A pesquisa foi realizada antes do referendo dos britânicos pelo ‘Brexit’, no dia 23 de junho, enquanto o Fomc (Federal Open Market Committee em inglês, o Copom do BC) estava reunido, e quando as primárias para a eleição presidencial americana estavam sendo concluídas. Com isso, 48% dos gestores disseram acreditar que as companhias e entidades que eles acompanham estavam atrasando importantes decisões relativas aos seus negócios por conta das incertezas políticas e econômicas no radar. Já os outros 52% dos entrevistados avaliaram que esses atrasos nas decisões das empresas não foi causado pelas incertezas do cenário, ainda que eles entendam que essa postergação tenha potencial para prejudicar o crescimento global.
A pesquisa informou também que 58% dos gestores acreditam que o crescimento na popularidade das estratégias passivas mudou o comportamento dos agentes que atuam no mercado financeiro. Aproximadamente ¼ dos entrevistados ajustou seus processos de investimento diante do novo ambiente causado pelo advento das estratégias passivas. A Northern Trust Asset Management encerrou junho com US$ 906 bilhões em ativos sob gestão, e faz parte da Northern Trust Corporation, conglomerado financeiro fundado em 1889 que tem US$ 6,4 trilhões em ativos sob custódia.