23-02-2017 – 13:38:18
As recentes aquisições de bancos por instituições financeiras não bancárias brasileiras podem ajudar a diversificar a captação, aumentar os resultados e melhorar a transparência, segundo a Fitch Ratings. Até o momento, no entanto, as transações não ocorreram em escala suficiente para que se avalie o potencial impacto nos ratings, embora tenham efeito positivo a longo prazo. O potencial efeito mais relevante de aquisições de bancos, destaca a Fitch, é a diversificação da captação. Além de permitir aos bancos a venda de um maior número de produtos de depósitos, há o fato de que determinados investidores, como os fundos de pensão, são impedidos de investir em instituições financeiras não bancárias. Com a aquisição de bancos, essas instituições financeiras se aproximam das fundações e outros investidores institucionais, aumentando a transparência e melhorando a governança corporativa, na avaliação da agência de classificação de risco.
A recente aquisição do BPN Brasil pela financeira Crefisa acompanha outras duas compras de bancos por instituições financeiras não bancárias em 2016 – a Omni Crédito Financiamento e Investimento anunciou a aquisição do Banco Pecúnia S.A. em março de 2016, enquanto a Agiplan Serviços Financeiros anunciou a aquisição do Banco Gerador S.A. em maio do ano passado. A agência de classificação de risco nota ainda que outras instituições financeiras não bancárias também procuraram adquirir licenças bancárias, tendo o Banco RCI Brasil S.A. recebido a aprovação do Banco Central para adquirir uma licença, em dezembro, além da corretora XP Investimentos, que se encontra em estágio inicial do processo de solicitação.
“Este movimento de aquisições tem ocorrido em meio a um ambiente macroeconômico desafiador, que inclui uma prolongada recessão, o que tem levado alguns bancos estrangeiros a vender suas operações locais e alguns bancos nacionais de menor porte a enfrentar dificuldades para sustentar seus modelos de negócios pré-existentes, criando oportunidades para que as instituições financeiras não bancárias efetuem aquisições”, aponta o relatório da Fitch, que diz também que este é o caso, em especial, de instituições financeiras não bancárias que cresceram de tal forma que começaram a competir com os grandes bancos em determinados nichos e regiões, embora sem contar com estrutura regulatória para acessar certos instrumentos de captação, ou oferecer determinados tipos de créditos/produtos aos clientes.
A agência diz que as aquisições também marcam mudanças estratégicas potencialmente significativas para as instituições financeiras não bancárias. Permitindo a expansão das marcas e as vendas cruzadas de mais produtos a clientes, essas aquisições também podem melhorar os potenciais resultados. “Esta mudança de estratégia, no entanto, também poderá criar certos riscos operacionais”. Uma expansão agressiva das operações poderá exigir maiores investimentos em controles e políticas de risco, além dos custos associados à sua implementação. Algumas instituições financeiras não bancárias enfrentarão curvas de aprendizado potencialmente pronunciadas, à medida que expandirem as operações para novos setores, o que inclui desafios para atender a novas exigências regulatórias. Uma expansão que ultrapasse a geração interna de capital também poderá pressionar a capitalização, o que é um risco, em especial, devido ao porte relativamente pequeno das empresas envolvidas nas transações até o momento. A Fitch observa ainda que o regulador brasileiro vem estreitando sua abordagem em relação a bancos e instituições financeiras não bancárias. “Se esta tendência continuar, a médio prazo, os reguladores poderão abrir opções de captação para as instituições financeiras não bancárias, o que poderá diminuir o incentivo para que essas instituições obtenham licenças bancárias”.