22-05-2017 – 18:27:40
A crescente incerteza política em função das acusações de corrupção contra o presidente Michel Temer devem pressionar ainda mais o ambiente operacional dos bancos, o que pode aumentar os riscos da qualidade de seus ativos no médio e longo prazo, segundo avaliação da Fitch Ratings. A deterioração do ambiente político não deve gerar uma acentuada e imediata deterioração da qualidade dos ativos dos bancos brasileiros ou perdas significativas decorrentes de exposições a títulos, diz o relatório da agência de classificação de risco. No entanto, prossegue o documento, como o caso envolve a presidência da República, a elevação do risco político pode aumentar as incertezas política e legislativa em um momento em que a reforma econômica e a agenda legislativa são essenciais para recuperar uma economia que vem em uma profunda recessão de dois anos. “A crise política pode retardar o ritmo da recuperação econômica e piorar um ambiente operacional já bastante desafiador para os bancos brasileiros”, aponta a Fitch. A perspectiva da agência para o setor bancário brasileiro permanece negativa. O fraco ambiente econômico e seus efeitos para a qualidade dos ativos são os principais fatores para tanto. “Há sinais de estabilização do ambiente operacional, mas ainda fracos e efêmeros”, nota a Fitch.
O potencial de melhora da qualidade dos ativos dos bancos brasileiros deve atrasar em função dos amplos desafios macroeconômicos, embora o escândalo de corrupção possa afetar principalmente os negócios de proteína e as carteiras da cadeia de produção do setor, avalia a agência. A exposição dos bancos de pequeno e médio porte classificados pela Fitch à indústria de proteínas é moderada. Os principais bancos privados não têm exposições diretas a este setor e vêm reduzindo, de modo geral, suas concentrações a tomadores únicos, devido à elevada alavancagem e à ainda limitada geração de caixa de quase todos os setores corporativos do Brasil. Já os bancos públicos, por outro lado, normalmente são mais expostos a setores como o agronegócio, em parte devido a seu papel social e de desenvolvimento. “Assim, a Fitch acredita que pode haver alguma necessidade de provisões adicionais ou de ajustes de marcação a mercado de títulos deste grupo de bancos”.