Ibovespa aos 52 mil pontos não seria surpresa diante do cenário a...

24-05-2017 – 14:02:11

 

Com a incerteza do quadro político e econômico do país após o escândalo que atingiu o presidente Michel Temer, o BTG Pactual avalia que o Ibovespa oscilando em um intervalo entre 52 mil a 55 mil pontos não seria uma surpresa. “Se existe alguma coisa clara hoje é que estamos de volta a um longo período de incerteza política, com implicações para as principais variáveis econômicas, incluindo o crescimento. Também está claro para nós que, independentemente de o presidente Temer continuar ou não no cargo, é altamente improvável que a reforma da previdência seja votada e aprovada antes das eleições presidenciais de 2018”, diz o relatório do BTG Pactual assinado por Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira. Tanto Temer, em sua atual situação política fragilizada, como um eventual presidente eleito de maneira indireta, não terão a força necessária para aprovar uma reforma tão impopular como a da previdência, afirmam os especialistas.

Por conta de sua atual fragilidade política, Temer pode ser incapaz de manter níveis mínimos de governabilidade, aponta o relatório do banco. Já um presidente eleito de forma indireta, ainda que longe do ideal, pode ao menos ter a capacidade de manter o governo e o Congresso em funcionamento para aprovar reformas menos polêmicas, como a trabalhista, preveem os profissionais do BTG Pactual. “Um Congresso de centro-direita pode eleger um presidente mais alinhado com as políticas econômicas em andamento. Além disso, por ser eleito pelo Congresso, o novo presidente deve ter um apoio mínimo dos deputados. Esse é provavelmente o melhor cenário-base”, aponta o relatório, que informa também, por outro lado, que eleições diretas, defendidas pelos partidos de oposição, em um país dividido como está o Brasil atualmente, seria uma confusão, com um resultado completamente imprevisível. “Esse é o cenário mais arriscado”.

A turbulência política deve afetar negativamente os investimentos estrangeiros diretos de longo prazo nos próximos meses, o que, combinado com o aumento do risco local, tende a manter o câmbio sob pressão, prossegue o documento do BTG Pactual. Em relação ao processo de redução da taxa de juros, os especialistas do banco acreditam que ele deve continuar mesmo nesse novo cenário, embora não na mesma velocidade e magnitude com que o mercado vinha projetando. Os gestores avaliam também que a confiança dos consumidores e das empresas tende a ser afetada negativamente pela incerteza política. “Somando tudo isso, parece ser razoável esperar que os eventos políticos recentes tenham um impacto negativo na recuperação da economia”.

Nos últimos meses o banco vinha ajustando seu portfólio, trocando nomes mais voláteis por papéis de mais qualidade – foram adicionados à carteira do BTG Pactual recentemente ações da Multiplan, Equatorial, Klabin, BB Seguridade e Cosan, além da manutenção dos ativos da Telefonica Brasil. “A incerteza trazida pelo desafiador cenário político exige ajustes adicionais”. No momento, os profissionais do banco entendem que papéis que se beneficiam de um dólar mais forte tendem a apresentar uma performance melhor. Nesse quesito, eles citam as ações da Suzano, Embraer e Minerva como suas preferidas. Para abrir espaço para esses papéis, os ativos que os especialistas acreditam que poderiam ser retirados da carteira são os da Petrobras, Itaú, B3 e Rumo.