25-03-2014 17:33:57
O rebaixamento do rating de crédito soberano do Brasil, avaliado pela Standard&Poors, de BBB para BBB- não deve provocar grandes oscilações do mercado financeiro. É o que avaliam gestores de assets e fundos de pensão que estiveram presentes em um evento organizado pela Mongeral Aegon Investimentos, hoje (25 de março) pela manhã em São Paulo. O evento serviu para anunciar o lançamento do primeiro fundo de investimentos no exterior da asset em parceria com a gestora americana Transamerica Asset Management (TAM), controlada pela Aegon.
Além do novo produto, os gestores e especialistas comentaram o rebaixamento da nota do crédito brasileiro, anunciado ontem no final do dia. “Não foi uma surpresa, acredito que o mercado já vinha precificando o rebaixamento. Agora vamos verificar como se comportam as curvas dos juros, mas não espero fortes oscilações por conta da mudança do rating”, diz César Soares Barbosa, diretor de investimentos da Sabesprev (fundo de pensão da Sabesp).
Ele acredita que a alteração do rating não deve prejudicar a recuperação da bolsa brasileira, que fechou em alta pelo sétimo dia seguido. “A bolsa já está muito baixa, não deve cair ainda mais”, diz Barbosa. O diretor do fundo de pensão acredita que o rebaixamento da nota deve trazer um maior impacto político, devendo aumentar o desgaste do governo federal e da equipe econômica. “Acredito que o maior impacto será político, com aumento da possibilidade de um segundo turno nas eleições presidenciais”, diz Barbosa.
“Os mercados já se anteciparam ao rebaixamento da nota do Brasil”, diz John Reifsnider, diretor de novos negócios da asset americana TSW International. O especialista minimiza a importância da avaliação da Standard&Poors. “É apenas a avaliação de uma das agências. Eles não são os únicos avaliadores, tem que esperar o que falam os demais”, diz o diretor. Apesar da queda da nota, Reinsfield diz manter o otimismo com o Brasil e revela que a mudança no rating não impede a realização de alocações em ações de empresas brasileiras.
“No nosso caso não muda nada, pois olhamos primeiro para as companhias e depois para o país. Continuo otimista com o Brasil”, diz o diretor da TSW, uma asset com sede no estado da Virgínia, com US$ 7,4 bilhões de ativos sob gestão. O diretor lembra ainda do caso da crise na Zona do Euro de 2010 e 2011, quando as avaliações de países como Portugal, Irlanda e Espanha eram negativas e nem por isso, os gestores dos fundos da asset deixaram de analisar as oportunidades de ações de companhias específicas nestes países.
O diretor da TSW admite, porém, que em casos de investidores de curto prazo, a notícia de rebaixamento da nota pode provocar algum movimento. “Pode ocorrer algum resgate no caso de investidores de curto prazo que utilizam os ETFs”, explica Reifsneider. Isso pode ocorrer no caso de ETFs (Exchange Traded Funds) que seguem índices de mercados emergentes que contenham alocação em empresas brasileiras.
Positivo
Para o diretor de investimentos da BES DTVM, do grupo Espírito Santo, Paulo César Werneck, tem uma análise positiva da nova nota da S&P. “O que foi positivo é que a agência manteve a perspectiva estável. Se o outlook fosse para negativo, daí a reação seria mais prejudicial”, diz o diretor. Ele também concorda que o rebaixamento da nota já vinha sendo precificado pelo mercado nos últimos meses. Werneck ainda avalia os efeitos políticos da mudança no rating. “Vai dar mais munição para a oposição. As agência deveriam ser mais neutras neste sentido, mas elas também tem o seu timing de reavaliação dos ratings”, diz o diretor da BES DTVM. Mas ele reforça que foi até melhor não deixar passar as eleições para realizar o rebaixamento. “Seria pior se viesse um rebaixamento no final do ano, mas acompanhado de um outlook negativo”, diz Werneck.