Fundos das gestoras Verde e Adam reduzem exposição ao mercado bra...

07-06-2017 – 18:51:42

 

Duas das gestoras mais reconhecidas do mercado brasileiro, a Adam Capital, de Márcio Appel, e a Verde Asset, de Luis Stuhlberger, reduziram sua exposição aos ativos domésticos nas últimas semanas após o aumento da incerteza política e econômica com a delação dos controladores da JBS que implicou o presidente Michel Temer e seu núcleo próximo. Em seu relatório referente ao mês de maio, o fundo Verde da gestora de Stuhlberger que leva o mesmo nome do veículo destaca que o cenário político, que já não era simples, foi fortemente abalado pelas revelações envolvendo o atual governo. A probabilidade de continuidade dos que ocupam o cargo hoje “se reduziu sobremaneira, com consequências bastante claras para os preços de ativos brasileiros”, aponta o relatório do Verde. O que tem minimizado um impacto maior no mercado do ruído político, prosseguem os especialistas da asset no documento, é a boa vontade global em meio a uma quase euforia de fluxos para mercados emergentes. “Tal fenômeno amorteceu bastante o choque sobre os mercados, e tem permitido uma certa aparência de normalidade econômica, que até certo ponto tem beneficiado as chances de sobrevivência do governo”.

A Verde já vinha desde antes da publicação da delação de Joesley Batista com uma postura menos entusiasmada sobre a eventual aprovação da reforma da previdência na comparação com o resto do mercado. Agora a gestora entende que essa probabilidade é ainda menor, dado que o custo político de votar a favor de uma reforma (e do governo) impopular aumentou muito, enquanto o capital político que este governo dispõe para angariar votos se reduziu de maneira expressiva. “Assim, acreditamos que a probabilidade de aprovação da reforma caiu substancialmente. E de maneira surpreendente, nos parece que a distância entre nossa visão sobre o tema, e o que está precificado no mercado, só aumentou desde 17 de maio”.

Diante desse quadro, os gestores do Verde optaram por reduzir o risco Brasil de seu portfólio. A posição comprada em ações brasileiras, que já era pequena, foi ainda mais reduzida. Além disso, os especialistas também aumentaram os hedges no mercado de juros. “Continuamos mantendo convicção que o juro real tem espaço para ser substancialmente mais baixo, ainda mais dado o choque negativo de confiança que os agentes econômicos receberam”. O cenário atual levou os gestores do Verde a citarem uma frase que costuma ser atribuída ao mega investidor Warren Buffett — “Apenas quando a maré baixa é que vemos quem está nadando pelado”. Os profissionais da Verde encerram o relatório dizendo que o “oceano de liquidez global ainda é abundante, mas em 17 de maio a sunga brasileira parece ter sido surrupiada”.

Adam – No caso do fundo Advanced da Adam, o relatório de gestão de maio informa aos investidores que a abrupta mudança no regime de volatilidade dos ativos brasileiros implicou em alterações importantes do portfólio na segunda metade do mês de maio. As exposições nos mercados domésticos de renda fixa, câmbio e bolsa foram significativamente reduzidas no dia seguinte à divulgação da delação premiada de Joesley Batista. Nos mercados internacionais, por outro lado, a estratégia da Adam permaneceu inalterada. No momento atual, a gestora de Appel tem optado pela tomada de risco nos mercados internacionais e, “quando julgarmos oportuno, as posições locais deverão ser recompostas”. No relatório os especialistas da asset escrevem ainda que seguem confiantes em sua tese de investimentos de longo prazo, onde o posicionamento em juros e câmbio se encontra baseado na baixa velocidade de recuperação da economia local, a despeito do bom trabalho da equipe econômica até o momento.