08-03-2017 – 15:49:53
Após uma valorização do real frente ao dólar de 17,7% nos últimos doze meses, o fundo Verde, gerido por Luis Stuhlberger, montou uma pequena posição comprada na divisa dos Estados Unidos, “pois vemos o real sobrevalorizado nos níveis atuais”, aponta o relatório de gestão do veículo referente a fevereiro, que destaca também a surpresa dos especialistas da casa com a força que os preços das commodities tem apresentado até o momento.
Além de avaliar que o real está sobrevalorizado, os gestores do Verde acreditam também na valorização do dólar à frente por razões próprias da economia americana. “Acreditamos num contínuo fortalecimento do dólar, especialmente contra moedas da Ásia, embora isso não tenha se refletido nos preços em 2017”, diz o documento da asset. A alta do juro americano agora em março, fortemente sinalizada por membros do Federal Reserve, reforça a convicção dos profissionais do fundo sobre um dólar mais forte. Eles escrevem ainda que o indicativo da volta da agenda nacionalista e anti-globalização do governo americano, que devemos ver ao longo dos próximos meses, também contribui para a opinião da casa sobre o câmbio.
No âmbito doméstico, a grande novidade, na avaliação dos gestores, são os sinais de que pode haver nova aceleração no ritmo de corte de juros. “Temos repetido ad nauseam nossa visão que os juros reais estão muito altos, e até aqui o Banco Central pouco agiu nesse sentido, acompanhando a queda mais acentuada que o esperado da inflação corrente (fruto, em parte, dos voláteis preços de alimentos)”. Uma sequência de cortes mais fortes deve finalmente começar a agir no nível do juro real, preveem os responsáveis pelo Verde. O fundo mantém alocações significativas na parte intermediária da curva de NTN-Bs. Embora entendam que a bolsa já refletiu um pedaço dessa reprecificação do juro nominal, os especialistas ainda enxergam oportunidades em alguns setores.