23-01-2015 – 13:01:57
As medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a atuação do Banco Central (BC) na política monetária, levaram a Fundação Ecos a se posicionar neste início de 2015 para aproveitar dois movimentos oriundos da atuação das autoridades. Um deles, no primeiro semestre, é o possível fechamento da curva na ponta longa, e no segundo semestre, a entidade espera por uma recuperação da bolsa brasileira, em função da maior credibilidade a ser alcançada pelo governo.
“A gestão terceirizada recomendou, e neste começo de ano fizemos uma aplicação no IMA-B, caso ocorra um fechamento da curva”, afirma Tiago Novaes Villas Boas, diretor administrativo e financeiro da Fundação Ecos. Sul América e Credit Suisse respondem pela carteira terceirizada de renda fixa da entidade.
O fechamento da curva, que já tem ocorrido nos prazos mais longos, nota o diretor, tem relação direta com a recente depreciação do dólar, que foi de R$ 2,70 no início do mês para R$ 2,57. “No Brasil o diferencial de juros é brutal, e se ocorre uma diminuição da percepção de risco, o investidor não vai ganhar 2% nos Estados Unidos se pode ganhar 13% aqui, por isso que o dólar depreciou bastante e a curva fechou”.
Já na renda variável, prevendo que em 2015 a bolsa brasileira ainda possa ter momentos de recuperação, o fundo de pensão manteve em sua carteira alocados cerca de 10% em ações. “Temos alocado em bolsa para manter esse percentual de 10%, já que tem caído muito o valor das ações. Mas se não achasse que teria um momento positivo, não faria isso”, pondera o diretor. Essa recuperação, explica, está diretamente relacionada com a atuação de Levy na Fazenda. “Embora seja cedo para dizer, as medidas são absolutamente concretas, já geraram um superávit de R$ 50 bilhões. O processo de credibilidade está em curso e o preço dos ativos vai acompanhar esse processo”.
O setor de educação, o campeão da bolsa brasileira em 2014, tem sido o pior segmento em 2015, mas mesmo ao longo do ano passado a fundação já não vinha aplicando nesses papéis. “Parecia um ponto fora a curva a educação, com a quantidade de benesses, como o FIES, o valuation das ações do setor está quase todo no FIES. Todos os setores estavam experimentando algum tipo de aperto, e já tínhamos a percepção de que o FIES não iria continuar como estava”, diz Villas Boas.
No ano passado, a maior rentabilidade da carteira da Fundação Ecos veio das aplicações no exterior, que geraram um retorno de 26,28%. A entidade iniciou esse tipo de investimento em 2014, com uma aplicação de R$ 15 milhões, mas optou por não elevar o capital alocado para 2015. “Às vezes o resultado forte não continua, já teve uma apreciação cambial muito forte, as bolsas americanas estão nos ‘high’ históricos, a tendência é não continuar tão forte”.
A meta atuarial da entidade em 2014, de 11,27%, foi superada, com um retorno consolidado da carteira de 11,89% – a carteira de ações domésticas caiu 1,25%, enquanto a renda fixa rendeu 13,62%, e estruturados, 7,23%. “Como o benchmark para os estruturados é o CDI, que rendeu cerca de 11%, não achei o resultado muito bom não”, fala o diretor da entidade.