03-12-2014 – 08:44:25
A Funcef está mudando sua política de investimentos. Para 2015, o fundo de pensão deve ampliar o volume da carteira de renda fixa em 1 ou 2 pontos percentuais para aproveitar a alta das taxas de juros e o patamar elevado dos retornos dos títulos atrelados inflação. Já os investimentos estruturados, que vinham aumentando na carteira da Funcef dos últimos anos, não deve contar com processos de alocação em novos fundos. Apenas devem ser realizados os aportes relacionados a investimentos já comprometidos.
Segundo Maurício Marcellini, diretor de investimentos da Funcef, o capital comprometido e não investido em estruturados pode alcançar 15% considerando os investimentos imobiliários. “Os gestores estão com recursos e novas chamadas vão sendo feitas gradualmente. Novos investimentos nessa classe de ativos dependerão de boas oportunidades”, diz.
Para 2015, a estratégia será a manutenção desses investimentos com liberação do capital comprometido em estruturados e foco em desinvestimentos, dando maior espaço para alocações em renda fixa. “Estamos finalizando o processo de política de investimentos e ao que tudo indica, a renda fixa deve ter aumento de 1 a 2 pontos percentuais de nossa exposição. É um percentual relevante”, diz Marcellini.
Hoje, a alocação da fundação em renda fixa está em torno de 45%, em renda variável 32%, imóveis 8,6%, operações com participantes 4% e estruturados 10%.
O executivo explica que desde 2012, alguns movimentos importantes aconteceram, com taxa de juros na época caindo 7,25%. “Era um cenário de queda de taxa de juros, que foi revertido em 2013. Desde então a gente adota uma estratégia mais cautelosa”, explica Marcellini. Em termos de movimentos táticos, em 2013 a Funcef interrompeu investimentos ativos atrelados a juros para ativos atrelados a crescimento, ou seja, apostou mais em investimentos estruturados. “Agora, optamos por manter a exposição a esses ativos, já que temos um capital comprometido em estruturados que não foi alocado”, diz o executivo.
Questionado sobre a relação da estratégia em renda fixa com o déficit da fundação, que hoje chega a R$ 4 bilhões, Marcellini diz que a decisão de alocação é puramente de mercado. “É um movimento tático, com taxas de juros próximas a 12% e papéis atrelados a inflação gerando bons retornos. A renda fixa se torna bem atrativa. Não tem a ver com nossa situação conjuntural”, explica.
O executivo diz ainda que o déficit da fundação foi gerado por uma questão de gestão do passivo. “Melhoramos isso com mudanças nas características dos nossos planos de benefícios, mudança de taxas, retirada de limites, etc. Essas melhorias incorporadas aos planos tiveram um custo em valores atualizados de quase R$ 20 bilhões”, salienta.
Já para renda variável, a expectativa é de redução da exposição, o que não implica em venda de ativos em bolsa. “Temos uma estratégia de melhor diversificação da carteira, sendo mais seletivos. Estamos muito atentos, pois a bolsa esta muito volátil. Quando a bolsa sobe de forma exagerada, temos que nos recompor em termos de liquidez”, explica.
Novas regras da meta atuarial
A regulação teve uma evolução importante, principalmente olhando a precificação de passivos, buscando-se uma coerência dessa meta com a taxa de retorno dos ativos, segundo Marcellini. “Para efeito de alocação, a regra é neutra. Não deve ser determinante na política de investimentos das fundações”, diz o executivo.
Marcellini dá destaque para o tratamento das regras de solvência, julgando ser importante que a questão avance o mais rápido possível, pois a regra atual independe do prazo que a fundação tem para pagar os benefícios, prejudicando até decisões de investimentos. “A fundação que tem que pagar benefício em três anos tem mesma regra que a fundação que deve pagar só em 15 anos”, diz.