28-07-2015 – 18:26:04
A Fitch Ratings alterou de positiva para estável a perspectiva dos ratings que atribui ao banco BTG Pactual. A mudança, explica a agência de classificação de risco, decorre do atual ambiente macroeconômio do país, “que não deverá se recuperar até o final de 2016”, e que tende a trazer impactos para a aquisição do suíço BSI pelo BTG Pactual.
Ainda que acredite que a operação vai agregar uma significativa e estável receita de serviços para o banco, elevando assim o lucro recorrente, com receitas menos voláteis, a Fitch destaca que o atual ambiente operacional limita os benefícios que a integração do BSI poderia trazer. “Deste modo, a agência reconhece que alcançar estes benefícios e a manutenção da lucratividade e da alavancagem do banco poderão demandar mais tempo do que o prazo normal implícito em uma perspectiva positiva”, diz a Fitch, em nota, que lembra ainda que as sinergias de custos da operação devem ser limitadas, já que a estrutura e a equipe do banco suíco tendem a ser mantidas. A agência aponta ainda o desafio de integralização dado o porte da aquisição e também as transformações que o private banking da Suíça atravessa no momento. “Medidos em bases consolidadas, os índices de capital e de alavancagem do BTG Pactual devem se deteriorar temporariamente após a conclusão da aquisição”.
Além disso, em 2014, e no primeiro trimestre de 2015, nota a Fitch, o BTG Pactual teve um aumento relevante de provisões para crédito, devido à deterioração de alguns nomes que compõem sua carteira. Uma continuidade e intesificação da piora, com consequente elevação dos custos, na visão da agência pode consumir parcela importante do lucro líquido do banco. Pelo fato de contar com uma carteira de crédito concentrada em ativos brasileiros, e com os desafios do atual ambiente operacional, a agência não descarta a possibilidade de pressões adicionais sobre a qualidade de ativos do BTG Pactual. Os ratings do banco, acrescenta a agência, consideram também a volatilidade inerente de algumas de suas fontes de receita, e o aumento da exposição ao risco de mercado.