05-02-2015 – 15:00:16
O fundo de pensão Economus iniciou em julho do ano passado seus investimentos no exterior, com uma aplicação de R$ 11,5 milhões no fundo da BlackRock, que rendeu 18% no período, influenciado pela valorização do dólar. Para 2015, a entidade avalia aumentar o nível de alocação internacional, com um novo aporte de valor semelhante ao já realizado. A diferença é que a próxima investida da fundação no exterior deve ser com o foco mais voltado para a Europa e Ásia e menos para os Estados Unidos. “O resultado foi bom, mas é preciso avaliar com bastante cuidado os próximos passos, até pela valorização que já ocorreu nas bolsas americanas, e no dólar. Tem que ir com mais cautela”, diz Cristiano Botelho, gerente da divisão de investimentos do Economus. Em 2014, o S&P 500 subiu 11,4%, isso após já ter registrado uma alta de quase 30% em 2013. “Estamos vendo algumas oportunidades interessantes de fundos na Europa e Ásia, mas o processo é lento, não sei dizer o timing, e nem se realmente será feito”.
Além disso, assim como em outras entidades, o Economus também espera por uma melhora da bolsa nos próximos meses para se desfazer de parte de sua carteira de renda variável. “Quando surgem as oportunidades temos reduzido a alocação para otimizar os resultados”, pontua Botelho. Hoje ao redor dos 49,5 mil pontos, caso a bolsa supere a barreira dos 50 mil, pode já entrar em um patamar interessante para um possível desinvestimento da fundação. O que pode antecipar um pouco esse processo, nota o gerente, é a atuação da nova equipe econômica na área fiscal. “Se tiver uma melhora, caso o mercado de capitais antecipe um movimento futuro, podemos antecipar alguma saída”. No entanto, Botelho ressalta que as medidas fiscais anunciadas devem demorar de seis a doze meses para começarem a surtir efeito, e consequentemente, gerar reflexos positivos no mercado.
Para o curto prazo, o foco do fundo de pensão estará mais voltado para os títulos públicos, até pelo recente aumento que tem ocorrido na curva de juros, aumento esse influenciado por números ruins divulgados pelo governo, como o primeiro déficit primário do setor público na história. “Até as medidas começarem a dar resultado, teremos sucessivos números ruins, e isso prejudica muito a curva longa, que tem uma influencia grande do lado fiscal”, fala o gerente do Economus. O especialista entende que, no médio/longo prazo, a tendência é da curva fechar com a melhora da área fiscal, mas enquanto isso não acontece, não há muita perspectiva de melhora para esse mercado.