11-08-2016 – 13:03:54
A projeção do BNP Paribas para a taxa de câmbio no fim de 2016 é de R$ 3,25, mas o economista-chefe da casa, Marcelo Carvalho, diz que, diante do cenário internacional favorável para o fluxo de entrada de recursos, não ficaria surpreso se o real estiver ao redor do R$ 3,00 em dezembro. “Não seria surpreendente ver o câmbio nas próximas semanas ou meses cair ainda mais e ficar abaixo de R$ 3,10, ou se aproximar de R$ 3,00, é perfeitamente possível que isso aconteça”, disse Carvalho, durante teleconferência com jornalistas ocorrida na manhã desta quinta-feira, 11 de agosto.
O economista avalia o cenário internacional como “benigno”, e ressalta que o ‘Brexit’ não só teve efeito limitado para as economias emergentes, como contribuiu para o aumento dos níveis de liquidez global diante de medidas dos bancos centrais da região para estimular as economias locais. “A contaminação desse evento em termos globais tem sido limitada, e até curiosamente há um efeito positivo de liquidez nos mercados emergentes, com uma postura mais ‘acomodaticia’ por parte dos grandes bancos centrais no mundo, em particular o Banco Central Europeu, que continua reduzindo os juros, e o próprio Fed que talvez demore mais tempo para subir os juros do que o mercado antes precificava”. O resultado dessa conjugação de fatores, destaca o especialista, é um ambiente global de liquidez “ainda muito abundante”.
Em relação ao Fed, a percepção do BNP Paribas é de que a autoridade monetária americana deve subir os juros apenas uma vez em 2016, talvez já em setembro. No entanto, Carvalho ressalta que não espera por um ciclo de aperto monetário do banco central dos Estados Unidos nos próximos meses. “Não deve ser como em outros ciclos do passado, em que o Fed subiu os juros em vários pontos percentuais em muitas reuniões seguidamente, não é o caso. Achamos mais provável que ele suba os juros uma ou duas vezes no máximo, o que reforça o ambiente global de ampla liquidez, com muito dinheiro sobrando lá fora, e esse dinheiro persegue o retorno maior em economias emergentes, como é o caso do Brasil”.
Diante desse quadro de elevada liquidez, com parte dela direcionada ao Brasil, o economista-chefe do BNP Paribas não espera que o Banco Central (BC) adote uma estratégia agressiva para conter a possível continuidade da trajetória de desvalorização do dólar frente ao real já observada nos últimos meses. “Vamos ter o BC invervindo cada vez menos no mercado, com uma taxa de câmbio cada vez mais flutuante”, pondera o especialista. “Isso reforça a nossa percepção de que, dependendo do cenário de liquidez global, e da aprovação do ajuste fiscal no ambiente domésitco, é perfeitamente possível que o câmbio ceda ainda mais e o dólar se aproxime dos R$ 3,00, sem que isso leve o BC a nenhuma reação mais forte”.