21-06-2016 – 15:11:30
O déficit da previdência no país, que atingiu 2,2% do PIB em 2015, considerados os números do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), tem crescido de maneira expressiva nos últimos anos, a despeito do forte aumento da população ocupada no mercado formal. Pelos cálculos do Credit Suisse, as receitas previdenciárias cresceram 6% por ano de 2001 a 2015, enquanto os gastos médios do setor tiveram um aumento anual de 7% no mesmo período de comparação.
“De acordo com as normas vigentes para a concessão de benefícios e ajustes no salário mínimo, estimamos que o déficit da previdência vai atingir 5,4% do PIB em 2025, um crescimento médio de 0,3 ponto percentual por ano”, diz o banco suíço, em relatório. Em 2060, esse percentual estará em 13,6% do PIB, prevê o Credit Suisse. Essa tendência, explica a instituição financeira, se deve pelo significativo crescimento nas despesas com previdência, dentro de um cenário de envelhecimento da população nos próximos anos.
“Mudanças no perfil demográfico e a indexação de um benefício previdenciário mínimo ao salário mínimo faz com que o atual modelo de seguridade social seja insustentável”, escreve a equipe econômica do Credit Suisse no Brasil – eles lembram que a parcela da população no país acima dos 65 anos deve subir de 7,9% em 2015 para 26,8% em 2060.
A sustentabilidade do sistema de previdência, prosseguem os especialistas do banco, requer a desindexação de um benefício mínimo ao salário mínimo. “Nossas simulações sugerem que o déficit da previdência se estabilizaria caso os benefícios forem desindexados do salário mínimo; se a idade mínima fosse elevada para todas as categorias; e se houver uma cláusula que estabelece que as medidas implementadas valem para os atuais participantes do sistema”.