22-05-2015 – 18:47:07
O anúncio do maior pacote de ajuste fiscal do país, que contingencia R$ 70 bilhões em gastos públicos, conta com um corte de R$ 25,7 bilhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A medida, contudo, não deve afetar o apetite do investidor institucional por projetos de infraestrutura, segmento considerado um dos principais entraves ao crescimento da economia brasileira.
Segundo o presidente da Infra Asset Management, Leandro Martins, a maneira mais sustentável de garantir o desenvolvimento da infraestrutura no país é pela iniciativa privada. “O governo não tem recursos disponíveis para investir sozinho em grandes projetos e é o setor privado quem deve conduzir esse processo”, defende.
Para ele, o corte no PAC não tira a atratividade da infraestrutura para os institucionais, pelo contrário: pode abrir espaço para que fundos de private equity ingressem em bons projetos, carentes de recursos, mas repletos de oportunidades de ganho. “Fundos de pensão são grandes investidores em infraestrutura e não devem perder o apetite pelo segmento, mesmo em momentos em que a economia não vai tão bem. Esses são projetos de longo prazo e, quando bem escolhidos, geram ganhos muito superiores à renda fixa”, complementa.
De acordo com o executivo, o mercado está sim mais reticente em apostar em private equity no momento, visto que os títulos públicos estão gerando rentabilidades acima da meta atuarial. Entretanto, este cenário é conjuntural e o país precisa de investimentos em infraestrutura para garantir crescimento no longo prazo.
A Infra Asset possui atualmente R$ 2 bilhões em ativos sob gestão, dos quais 70% pertencem a fundos de pensão e regimes próprios de previdência. Em fundos de private equity, a gestora administra R$ 1,3 bilhão nos segmentos de energia, saneamento e tecnologia. “Para os próximos meses são aguardados onze projetos de energia, em outorga, para iluminação pública, e a concessão de usinas termoelétricas. Há muita coisa acontecendo no setor, independentemente de um cenário de crise”, destaca.
Martins assumiu a presidência da Infra no final do ano passado. A estratégia da asset, contudo, deve permanecer focada no segmento de infraestrutura, principalmente em projetos ligados ao desenvolvimento regional, de pequeno e médio portes.