29-11-2017 – 12:30:47
O quadro eleitoral para 2018 indefinido até o momento deve fazer com que tenhamos nos próximos meses “tempos emocionantes por conta do cenário político”, prevê Marcelo Carvalho, economista-chefe do BNP Paribas no Brasil. “As eleições trazem incerteza e volatilidade em qualquer lugar do mundo, já que ninguém sabe quem vai ganhar”, disse o economista, durante coletiva com a imprensa nesta quarta-feira, 29 de novembro.
Na avaliação de Carvalho, é razoável imaginar que teremos muitos candidatos no início da disputa, tanto da extrema esquerda como da direita, ainda que ao longo do processo ocorra uma convergência em torno de nomes menos radicais. “Apesar de a eleição ser decidida somente nos últimos três meses de 2018, ao longo do processo vai ter volatilidade com as pesquisas de intenção de votos”. O economista afirma ainda que a economia deve ter papel importante na disputa ao Planalto, à medida que a recuperação da atividade, na avaliação do especialista, tende a favorecer candidatos que proponham a manutenção da política econômica do governo atual.
Projeções — Apesar do prognóstico de incertezas devido ao pleito presidencial, o cenário previsto pelo BNP Paribas para a economia brasileira no ano que vem é de aceleração expressiva da retomada. Pelos cálculos da instituição financeira, o PIB do país deve crescer perto de 1% em 2017, e 3% em 2018, impulsionado principalmente pelo consumo doméstico, e talvez em menor medida também pelos investimentos, e pelo cenário externo relativamente benigno. “Esperamos para 2018 um cenário de tempo bom, com algumas chuvas esparsas”.
Para o PIB do terceiro trimestre de 2017, a ser divulgado na próxima sexta-feira pelo IBGE, a projeção do BNP Paribas é de crescimento de 0,5% contra o segundo trimestre, e de 1% na comparação anual. “Acreditamos que o consumo continue indo bem, o que tem sido uma surpresa na composição do PIB, uma vez que esperávamos que os investimentos sairiam na frente e o consumo viria depois e não foi o que aconteceu. O investimento talvez seja uma história para o ano que vem”.
Para a inflação, a estimativa do banco aponta para uma taxa de 3% em 2017, e de 3,5% no ano que vem. Carvalho explica que a aceleração expressiva do crescimento não deve gerar pressão inflacionária relevante devido à ociosidade ainda elevada na economia por conta dos dois últimos anos de recessão. Por conta dessa expectativa, o banco acredita que o BC deve seguir com o ciclo de flexibilização monetária no início de 2018 e levar a Selic para a mínima histórica de 6,5%, patamar que deve perdurar até o final do próximo ano. Para o câmbio, Carvalho entende que a taxa não deve fugir muito do atual nível no qual se encontra e seguir próxima dos R$ 3,20.
Previdência — Quanto à reforma da previdência, o economista-chefe do BNP Paribas no Brasil nota que, se ela não for para frente, o teto de gastos incluído na Constituição não fica de pé. “Os gastos com previdência correspondem hoje a cerca de 50% do orçamento federal, e se não fizermos nada, dada a demografia, em 10 anos será 80% do total de gastos, é totalmente inviável”.
Se o governo atual não conseguir aprovar a reforma, o próximo terá de assumir essa tarefa, observa o especialista. “A proposta que está sendo discutida no Congresso é uma versão mais aguada em relação à proposta original, mas ainda assim é significativa. Se conseguirmos introduzir a idade mínima para aposentadoria com regra de transição já será uma revolução”. Segundo Carvalho, hoje os preços dos ativos no mercado não embutem uma grande possibilidade de aprovação da reforma previdenciária nos próximos meses. Portanto, caso a proposta consiga o apoio necessário, “provavelmente os preços vão reagir e poderemos até ter um rally”.