Cenário de incertezas guia retomada das NTNB-s

10-02-2015  –  11:26:52

 

Após encerrarem o mês de dezembro em queda de 6,24%, a rentabilidade dos títulos públicos de mais longo prazo, as NTNB-s com vencimento em 2050, inverteram de sinal e apresentaram rendimentos acima de 6,3% nas negociações no mercado secundário, segundo dados do Tesouro Direto da última segunda-feira (9). Esta foi a maior rentabilidade registrada no começo deste ano.

“Os investidores passaram a demandar mais prêmio dos títulos com o aumento do risco-Brasil, com a perspectiva de perdermos grau de investimento e o freio no crescimento”, explica Guilherme Benites, sócio da Aditus Consultoria Financeira.

O mercado operou com muita volatilidade no final do ano passado e começo deste ano, movimento que deve permanecer nos próximos meses. Mas a tendência é de que as taxas não passem muito do atual patamar.

“A rentabilidade dos papéis já está refletindo a percepção de risco. Daqui para frente, tudo dependerá de como a política econômica será conduzida e até onde o ministro da Fazenda conseguirá ir nos ajustes”, complementa.

Com o movimento global em sentido oposto ao Brasil – Europa e Estados Unidos mantiveram juros em patamares mais baixos para fomentar a economia – o spread dos títulos brasileiros em relação à média mundial torna o papel bastante atraente para institucionais no mercado doméstico. “O Brasil se beneficiou do fechamento dos títulos lá fora”, diz.

Benites explica que, em dezembro, as taxas dos novos títulos emitidos subiram, o que pressionou para baixo a rentabilidade desses papéis quando negociados no mercado secundário. Já em janeiro e fevereiro, as taxas fecharam, puxando o rendimento dos títulos para cima. Além disso, a expectativa de alta da inflação, mesmo com o advento de uma política fiscal mais austera, beneficia os títulos corrigidos pelo IPCA.