Bram prepara fundo smart beta de ações com foco em Latam

28-08-2014  –  17:20:29

 

A Bradesco Asset Management (Bram) está preparando o lançamento de um fundo de ações na América Latina baseado em um índice alternativo elaborado em conjunto com a FTSE. Utilizando uma estratégia de smart beta, que consiste em variáveis fundamentalistas, o fundo buscará ganhos de longo prazo por meio da exposição a fatores com características sistemáticas diferentes do risco de mercado.

A construção das carteiras será feita a partir de características observáveis dos ativos, baseando-se na baixa volatilidade, na qualidade e no valor. “Quando unimos os fatores de qualidade e valor, é possível amenizar o risco que o valor traz quando não há retornos”, explica Joaquim Levy, diretor superintendente da Bram. “É possível fazer um filtro de ativos que sempre têm rendimentos baixos”, diz.

Durante sua apresentação no seminário Entendendo o Smart Beta, promovido pela Revista Investidor Institucional nesta quinta-feira, 28, em São Paulo, Axel Simonsen, responsável pela área de estratégias sistemáticas da Bram, explicou que uma gestão de valor atrelada à qualidade tem uma característica mais consistente. “Na mistura, é possível ganhar mais dinheiro quando a estratégia de valor vai mal, pois minimiza as chances de grandes períodos performando abaixo do índice, já que as estratégias são negativamente correlacionadas”.

O fundo Bradesco Global Funds – FTSE Latin America Equity Diversified Factor, que está em processo de aprovação do órgão regulador de Luxemburgo e tem lançamento previsto para o final de setembro, seguirá o índice FTSE Latam Diversificado, em linha com a estratégia da Bram de ampliar a cobertura geográfica de seus produtos, e o foco será captar com investidores institucionais estrangeiros. “Dependendo do interesse das fundações brasileiras, vamos lançar também um fundo local que use esse mesmo índice”, destaca Levy.

Mercado brasileiro

No Brasil, pelo número pequeno de ações na bolsa de valores, ao construir fatores que determinarão as características do índice é preciso buscar maior diversificação, conforme explicou Axel Simonsen em sua apresentação. “O poder explicativo que você tem das ações no Brasil é menor, pois os fatores não são representativos o suficiente, são mais voláteis”.

Por isso, sabendo usar, entendendo as características dos fatores e conhecendo o mercado doméstico, Simonsen acredita que é possível elaborar combinações para construir um índice que misture qualidade e valor. Além disso, é aconselhável ampliar o universo de ações. “Por isso também construiremos um índice usando o universo da América Latina como um todo”, salientou o executivo.