Brain, desidratada, volta para dentro da Anbima

29-03-2018 – 17:45:03

 

A Brain, empresa sem fins lucrativos criada por Anbima, Febraban e B3 em 2010 para apoiar projetos de integração do Brasil com os mercados de investimentos latinoamericanos, deve perder o patrocínio das duas últimas e manter-se, a partir de agora, apenas com o apoio financeiro da Anbima. Uma assembléia com a participação dessas empresas deve bater o martelo sobre a decisão nos próximos dias. “A Brain não acabou, mas o modelo que a sustentava está mudando”, diz o presidente da empresa, Carlos Massaru Takehashi.

Ele está na Brain há dois anos, tendo assumido a presidência após deixar a direção da BBDTVM. Segundo ele, que frisa não ser remunerado no cargo, a Brain tem uma importância estratégica para o Brasil na busca da integração financeira e de investimentos com os países latino-americanos. “Vamos ficar dentro da Anbima, mas mantendo a independência e autonomia, como aconteceu durante um certo período com o IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação em Planejamento Financeiro), que hoje é Planejar”, diz Takehashi.

A estrutura atual da Brain é composta por dois diretores executivos e dois gerentes, além do próprio presidente, que ocupam um espaço próprio locado à Regus, empresa de aluguel de salas com espaços compartilhados. O contrato de locação desse espaço vai ser rescindido e a Brain passará a ocupar um espaço dentro da Anbima. “Vamos funcionar como uma incubada da Anbima”, explica o executivo.

Segundo ele, a saída da Febraban e da B3, além de alguns grandes bancos que também apoiavam a empresa como Itaú e Bradesco, se deve a questões orçamentárias. “Eles entenderam que já contribuem indiretamente através de suas próprias entidades”, explica. Apesar disso, Takehashi ressalta que o apoio de que goza a empresa junto à CVM e ministérios da Fazenda e Planejamento é sólido. “Os projetos que estamos desenvolvendo são muito importantes”, diz ele. “O governo reconhece a importância desses projetos para o desenvolvimento do mercado de capitais regional”.

Entre os projetos que estão sendo tocados pela Brain ele destaca o “passaporte de fundos”, uma iniciativa de criar padrões normativos e tributários para a indústria de fundos dos países latinoamericanos, de tal forma que um fundo se torne elegível para investimento de pessoas e empresas de qualquer país da região. Esse projeto, segundo ele, conta também com o apoio do Banco Latinoamericano de Desenvolvimento (BID).

Além do “passaporte de fundos”, outros dois projetos que estão sendo tocados pela Brain são a criação do LDR (Latinamerican Depositary Receipts) e do LDN (Latinamerican Depositary Notes), que buscam criar padrões entre os países para a emissão de ações e títulos, permitindo que os lançamentos feitos por empresas de um país possam ser negociados em outros da região.