08-01-2016 – 13:25:32
O banco BNP Paribas, “diante do agravamento das condições e das perspectivas políticas”, alterou sua projeção para o desempenho do PIB do Brasil em 2016, de -3% para -4%. Com isso, a economia brasileira deve acumular, entre os anos de 2015 e 2016, uma queda de 8%, prevê a equipe da instituição financeira, liderada no Brasil por Marcelo Carvalho. O banco lembra que desde o início da coleta de estatísticas, há mais de um século, o Brasil havia enfrentado apenas uma vez dois anos seguidos de recessão, em 1930 e 1931, quando a queda acumulada foi de 5% do PIB. Diante dessa previsão, o BNP Paribas já avalia como “improvável” um crescimento do país muito acima do zero em 2017. No último relatório Focus, os economistas ouvidos pelo BC projetavam uma queda de 2,95% do PIB em 2016.
O BNP Paribas cita três ameaças para a performance da economia brasileira nos próximos meses; fatores globais contrários intensificados com a contínua desaceleração chinesa e a queda das commodities; as consequências na economia doméstica de um acúmulo de erros políticos nos últimos anos; e as investigações sobre corrupção que também prosseguem, e que “prejudicam a economia e dificultam o ambiente político, com importantes personagens ameaçados de prisão”.
Câmbio e inflação – Sobre o câmbio, o banco diz que uma moeda mais fraca parece ser uma nova realidade que veio para ficar, tendo em vista a piora das condições globais e a fraca dinâmica interna. “Após terminar 2015 em R$ 4,00, parece muito mais provável que a taxa de câmbio se enfraqueça em direção aos R$ 5,00 do que se fortaleça rumo aos R$ 3,00 nos próximos um ou dois anos”, informa o relatório do BNP Paribas.
Um câmbio mais desvalorizado, lembra o banco, é ruim para a inflação. Ainda que a recessão ajude a derrubar os preços em 2016, na avaliação do BNP Paribas a moeda, os mecanismos de inércia e as expectativas desancoradas devem manter o IPCA bem acima da meta de inflação e mesmo do teto da banda permitida. O banco diz ter uma alta convicção de que o IPCA neste ano será de 8%. Sobre a política monetária, o BNP Paribas lembra que, apesar da recessão, o BC se comprometeu a combater a inflação e trazer o IPCA de volta à meta em 2017, independentemente dos custos que suas ações irão gerar no fiscal e no crescimento. “Se ele permanecer fiel às promessas, deve aumentar as taxas novamente. Seguimos esperando um ciclo de alta de 150 bps, para 15,75%”.