Ativos e passivos precisam de divórcio temporário, diz coordenado...

11-09-2013 – 09:24:42

 

“O processo vai ser doloroso se continuarmos com o olhar de curto prazo.” A afirmação é de Mauricio Wanderley, coordenador da Comissão Técnica Nacional de Investimentos da Abrapp, que defendeu um divórcio, em intervalos de tempo restritos, entre os ativos e passivos das fundações.

 

Wanderley, que também é diretor de investimentos da Valia, lembrou-se de um caso vivido por ele mesmo em 2008, ano em que estourou a crise financeira dos “subprimes” americanos, quando a fundação da Vale não conseguiu alcançar sua meta atuarial.

 

Apesar de não ter atingido a meta, o executivo não deixou de olhar para as opções que surgiam no mercado, tanto as tradicionais que ofereciam mais riscos, como também as alternativas, e hoje a rentabilidade obtida pela Valia nos últimos cinco anos fica na casa dos 13%, frente a uma meta de 11% para o período.

 

O medo de se tomar uma decisão de investimento em momentos de maior volatilidade pode atrapalhar os diretores de investimentos das fundações, que perdem oportunidades por conta de um excesso de receio. “Não podemos garantir resultados de curto prazo”, falou o executivo. “O gestor tem que ser remunerado no longo prazo”, emendou.

 

 

Investimentos alternativos

 

Nos Estados Unidos, o grande balizador do mercado doméstico, os investimentos alternativos já representam aproximadamente 20% das políticas dos fundos de pensão, enquanto a renda variável, mais exposta à volatilidade do que a renda fixa, tem fatia que corresponde a cerca de 50%.

 

No Brasil, por outro lado, se excluímos as seis maiores fundações do cálculo, que até mesmo por sua grande quantia de capital tem liberdade para correrem um pouco mais de risco, as aplicações na renda variável beiram meros 11%.

 

“O entendimento do processo de diversificação é o que pode facilitar o entendimento desse divórcio”, ponderou Wanderley, que participou nesta terça-feira (10/9) do 34° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão (Abrapp), que acontece em Florianópolis (SC).

 

A Valia trabalha hoje com 15 fundos de private equity, que por sua definição clássica entrariam no balanço da política de investimentos da casa como investimentos alternativos, mas que o diretor classifica como uma gestão complementar da renda variável. O capital comprometido do fundo de pensão da Vale nesse segmento soma R$ 1,1 bilhão.

 

Dado que o mercado de Bolsa ainda oferece opções, mas em um volume bem mais restrito do que há alguns anos, a opção adotada pela Valia foi buscar rentabilidade em empresas que ainda não abriram seu capital, ou que estão prestes a abrir. Entre as empresas investidas pela fundação via private equitie aparecem nomes como Tok Stock, Ri Happy, Hortifrúti, e Abril Educação, que abriu seu capital em 2011.

 

“O investimento no exterior é a nova fronteira. Faz todo sentido olhar para fora se atuarmos com visão de longo prazo. Os problemas serão menores”, falou Wanderley.