10-04-2018 – 13:32:05
O espectro de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China voltou a emergir, escrevem os gestores do fundo Verde em relatório, no qual lembram que desde a eleição do presidente Trump eles têm apontado esse risco como muito importante, mas que permaneceu calmo durante o primeiro ano de governo, posto em segundo plano pela agenda de reforma na saúde e o corte de impostos. Passados estes, Trump se voltou para aquele que sempre foi um de seus temas favoritos: o déficit na balança comercial americana, ou a representação, macro, da “derrota” dos americanos perante a China, notam os especialistas da asset capitaneada por Luis Stuhlberger. Na visão dos gestores do fundo Verde, esse novo arranjo geoestratégico Estados Unidos versus China está apenas começando. Tende a ser um fenômeno de décadas, não de meses, preveem os profissionais.
Eles destacam no relatório que o presidente americano adota um estilo negocial cheio de blefes e volatilidade, e os mercados estão apenas começando a aprender a separar o sinal do ruído. Ao mesmo tempo, a China usou e abusou da relação comercial amigável, e confrontados com o fim dessa dinâmica também vão ter que se reposicionar. “Vemos alguns riscos para o crescimento global, mas em princípio ainda dentro de uma trajetória construtiva para o mundo”, avaliam os especialistas, acrescentando que a lógica de mais volatilidade veio para ficar, mas não deveria alterar os retornos esperados, pelo menos por ora. “Por isso mantemos os portfólios com posicionamento basicamente estável, mas atentos às oportunidades que a volatilidade pode trazer”.
Ao longo de março o Verde teve ganhos principalmente com a exposição em renda fixa, que se beneficiou da queda das taxas de juros tanto reais quanto nominais, e também da exposição comprada em ações brasileiras. As perdas vieram da exposição em ações globais, da posição vendida em Dólar contra o Real e em menor medida da posição tomada em juros globais. Após ter apresentado em 2017 retorno de 5,25%, abaixo dos 9,95% entregues pelo CDI no período, no primeiro trimestre de 2018 o Verde obteve retorno de 1,59%, contra 0,53% do benchmark.