Anbima divulga nova classificação para fundos de investimento

13-04-2015  –  18:27:37

 

A Anbima divulgou nesta segunda-feira (13/4) sua nova classificação para os fundos de investimento, refletindo as mudanças no mercado nos últimos anos, já que até agora os fundos eram regidos pelas mesmas regras desde 2001. “Isso coincide com a agenda de regulação com os normativos que vão entrar em vigor em 1º de julho. Quando tem vários normativos entrando em vigor, se não partirmos para um calendário bem harmonizado, isso pode implicar em maiores custos e ineficiência para a indústria”, afirma Carlos Takahashi, vice-presidente da Anbima e presidente da BB DTVM.

A partir de agora o investidor terá três etapas para chegar ao fundo que mais se adeque às suas necessidades. Na primeira etapa, ele escolhe a classe de ativos, entre renda fixa, ações, multimercados e cambial. Na segunda etapa, seleciona uma gestão mais ativa ou mais passiva, e também os riscos inerentes ao fundo. E na terceira etapa, a estratégia a ser contratada. “A classificação serve para facilitar o processo de decisão do investimento, contribui para aumentar a transparência do mercado, uma vez que vamos ter os riscos bem explicitados”, pontua Hudson Bessa, gerente de informações da Anbima.

Com a nova classificação, aumentam de 29 para 38 as categorias de fundos de investimento classificados pela Anbima. “É uma comparação que não é muito justa, porque a classificação anterior não seguia o mesmo processo de decisão. Não é certo simplesmente comparar uma coisa que antes não tinha profundidade, era ‘flat’, com uma coisa que agora tem profunidade”, diz Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima e CEO da Claritas. “Esse processo é na verdade reflexo da evolução no mercado, são mandatos que o mercado já vem praticando. A própria supervisão vai agora ver fundos mais comparáveis dentro da mesma nuvem”.

A nova classificação entra em vigor em 1º de julho, e as gestoras deverão adaptar seus balanços consolidados à nova estrutura até o final de 2015. 

Renda fixa

Ao escolher na primeira etapa o ativo renda fixa, o investidor poderá então optar pelos fundos simples – criados pela ICVM 555 de dezembro de 2014, de estrutura simplificada, baixo custo e política de investimento conservadora – os indexados (passivos) e os ativos. Dentre os fundos ativos, terão os fundos de duração baixa (até 21 dias), duração média (até dois anos), alta duração (acima de três anos e meio), e o duração livre, que pode flutuar entre os prazos. “Pela primeira vez trazemos uma categoria que vê o prazo sob a perspectiva do risco que ele embute efetivamente”, comenta Takahashi. Haverá também dentro dos fundos ativos a janela investimento no exterior, para fundos com mais de 40% de alocação em mercado internacionais.

Dentro dos fundos ativos com diferentes durations, se abrem três novas subcategorias: risco soberano, que investe 100% em títulos públicos federais; grau de investimento, que investe até 80% em títulos públicos federais ou bonds corporativos com ratings elegíveis; e crédito livre, que não tem restrições de rating aos ativos em carteira.

E para o fundo com 40% no exterior, há outras duas subcategorias; ‘dívida externa’, para aqueles fundos que tem 40% de papéis da dívida soberana brasileira no exterior, e ‘investimento no exterior’, para todos os demais fundos que apliquem em outros mercados que não o brasileiro.

Ações

Se a escolha do investidor for por fundos de ações, se abrem as opções por gestão indexada, fundos específicos (fundos fechados, fundos de ações FMP-FGTS, e fundos monoação), investimento no exterior (mais de 40% no exterior) e ativos. Na gestão ativa de renda variável, as categorias são: setoriais, valor/crescimento, dividendos, small caps, sustentabilidade/governança, e livre. “A nova classificação deve reduzir um pouco o espaço dos livres”, explica Hudson Bessa.

Multimercado

Entre os multimercados, na primeira etapa, o investidor opta entre fundos balanceados (geralmente fundos com uma divisão rígida entre bolsa e renda fixa), e os dinâmicos, em que esse ponto médio entre bolsa e renda fixa é mais flexível para variar conforme as condições do mercado.

Em termos de estratégias, pela Anbima ter atualizado a classificação dos multimercados há cerca de cinco anos, foram mantidas as mesmas já em vigor no mercado – macro, trading, long&short direcional, long&short neutro, juros e moedas, e livre. E o investimento no exterior, com uma exposição acima de 40% a ativos internacionais. 

Na classe de ativo cambial, por falta de massa crítica, a Anbima entendeu não haver a necessidade de quebras adicionais na escolha do investidor.