27-02-2018 – 13:22:43
A Adam Capital deve fechar entre quarta-feira, 28 de fevereiro, e quinta-feira, 1° de março, seu fundo Strategy, quando o produto alcançar patrimônio de R$ 10 bilhões. O veículo, que teve sua captação iniciada em junho de 2017, já está no momento com R$ 9 bilhões, e pelo fato de o fechamento estar se aproximando houve uma expressiva aceleração nos aportes por parte dos investidores. “Os aportes diários estavam por volta de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões e passaram para R$ 400 milhões”, afirma André Salgado, sócio fundador da Adam.
O fundo Strategy tem prazo de resgate D+30, e assim que ele for fechado a Adam irá abrir um novo veículo, que seguirá a mesma estratégia, mas com prazo de resgate D+60. O novo veículo terá capacidade para absorver outros R$ 5 bilhões. Como não tem posição em juros locais, que é o fator que limita a possibilidade de um crescimento maior dos fundos Macro e Advanced, o Strategy vai se tornar o maior fundo da Adam ao longo de 2018. O Macro, hoje o maior, soma PL aproximado de R$ 12 bilhões.
“Depois de alcançar os R$ 5 bilhões no D+60 vamos abrir um D+90 e possivelmente também um D+180. Temos capacidade para fazer a gestão de pelo menos o dobro, talvez até o triplo, do que temos hoje no Strategy”. O sócio da Adam explica que a opção por alongar o prazo de resgate não se deve ao tamanho das posições necessárias diante do aumento do volume de recursos sob gestão. “Com o alongamento conseguimos focar em um passivo mais voltado para o longo prazo e mais alinhado com nossa estratégia de investimentos. Dado o tamanho que alcançamos podemos nos dar ao luxo de buscar esse tipo de investidor, que geralmente tem um ritmo de captação mais lento”.
Fundações – O público fundo de pensão representa ‘apenas’ 3% do PL total sob gestão da Adam, o que perfaz cerca de R$ 600 milhões dentro dos R$ 26 bilhões geridos pela casa. Esse montante não considera, no entanto, as fundações que entraram nos fundos da Adam por meio de fundos exclusivos das grandes instituições financeiras.
“Não é tão pouco do ponto de vista do valor, embora em termos percentuais ainda seja baixo, mas temos observado um aumento importante”. Segundo Salgado, há um movimento relevante de fundações efetuando cadastro com a intenção de entrar no fundo Strategy a ser aberto com prazo D+60. “Como as fundações tem uma visão de mais longo prazo essa mudança no prazo de resgate não faz tanta diferença para elas”.
O aumento no interesse das entidades de previdência pelo multimercado da Adam, avalia o sócio da gestora, se deve pelo patamar no qual se encontra a Selic, que as força a buscar mais risco, mas também pela asset ter alcançado dois anos de existência, o que dá mais conforto aos fundos de pensão em aportar seus recursos.
Cenário – Quanto às oportunidades no radar da Adam para 2018, Salgado diz que a casa fez algumas alterações em seu portfólio; no front global, reduziu a exposição direcional comprada em S&P, e em contrapartida aumentou a posição ‘long & short’ na bolsa americana. “Entendemos que a bolsa americana subiu demais em alguns setores”. A Adam está atualmente comprada em ações nos Estados Unidos de alta valor agregado de propriedade intelectual, e vendida em varejo tradicional.
No Brasil, a gestora apostou durante o ano de 2017 em três ativos principalmente – juros, Real e Bovespa. Para 2018 a Adam reduziu de maneira significativa sua posição em juros, zerou a posição comprada em Real, mas manteve a alocação em bolsa local, com a convicção de que ainda há espaço para novas rodadas adicionais de valorização para as ações brasileiras. “Acreditamos que a Bovespa traz hoje a melhor relação risco retorno entre os três ativos”.
Internacional – A estratégia iniciada pela Adam em 2017 no Strategy de seleção ativa de ações globais trouxe bons resultados, o que fez com que a gestora a adotasse também nos fundos Macro e Advanced. Por conta do desempenho apresentado pela tese de investimento a casa optou por ampliar a equipe focada em ativos internacionais e trouxe em fevereiro para fazer a cobertura de commodities Gustavo Castro, que era analista sênior de óleo e gás do BTG Pactual.
Sistemático – Desde o início de 2018 a Adam iniciou a adoção de modelos sistemáticos desenvolvidos internamente que auxiliam os gestores em suas tomadas de decisão. Os modelos rodam os diversos cenários possíveis e os respectivos portfólios que em tese melhor performance deveriam apresentar em cada um deles, o que ajuda os profissionais a calibrar melhor os tamanhos das posições e dos riscos em cada ativo da carteira, explica o sócio da asset. “Desenvolvemos um trabalho de engenharia da computação para otimizar nossos portfólios”. Como resultado da adoção do modelo, em janeiro de 2018 a Adam obteve o melhor resultado dos fundos sob sua gestão e com cerca de 40% menos de risco na comparação com igual período de 2017.
Previdência – A Adam tem cerca de R$ 2,5 bilhões em seus fundos multimercados de previdência aberta, distribuídos atualmente por Icatu e Itaú, e a casa está em negociações avançadas para ampliar a rede de distribuição por meio dos canais do BTG Pactual, além de também manter conversas com Santander e Safra.