08-12-2014 – 14:41:05
Em visita ao Brasil na semana passada, Timothy Leask, da equipe de ações globais do J.P. Morgan, participou de uma conferência realizada pelo banco com investidores locais. Leask, que fica sediado em Nova York, tem a função de fazer o meio de campo entre os gestores dos fundos de global equities da asset e os clientes institucionais. Ele apresenta aos investidores quais as estratégias tem sido adotadas pelos produtos da asset. O executivo faz esse trabalho principalmente com fundações dos Estados Unidos e Canadá, e começará a vir duas vezes por ano ao Brasil para conversar com as entidades que aplicam no fundo da asset do JP Morgan com a BB DTVM. Atualmente são 11 cotistas no fundo, que tem PL de aproximadamente R$ 150 milhões, com uma valorização em reais de 19% nos últimos 12 meses encerrados em novembro – o Ibovespa no período subiu 4,2%. Além do fundo com a BB DTVM, as fundações brasileiras já aplicam em outras duas estratégias internacionais que a asset do JP Morgan oferece localmente, de smart beta e de high yield. Na entrevista à Investidor Institucional, Leask fala sobre as perspectivas para os mercados globais em 2015.
Como os gestores estão olhando para o cenário das bolsas globais em 2015?
Os Estados Unidos estão no meio de um ciclo econômico, no qual o mercado de renda variável tem subido, mas onde ainda existem muitas opções de investimento. As empresas que oferecem dividendos altos, mais defensivas, tem subido mais, e empresas mais cíclicas não tem subido tanto quanto as defensivas, então existe essa oportunidade.
Então o fundo do JP tem hoje um peso maior em ações mais cíclicas do que nas defensivas?
O fundo é muito diversificado, mas tem sim um pé no campo cíclico maior que no defensivo, mas não dá para dizer que ele é puramente cíclico. É um fundo que mistura as estratégias de crescimento e valor. Além das empresas cíclicas, existem nos Estados Unidos uma gama de investimentos que estão passando por uma inovação tecnológica, como nos setores de óleo e gás, biotecnologia e ‘cloud computing’, existem oportunidades nessas três áreas também.
O mercado americano está caro após a valorização ocorrida nos últimos meses?
Pode ser que a economia europeia não esteja tão forte como nos Estados Unidos, mas na realidade muitas empresas europeias são muito globais, não dependem apenas da economia local, elas têm gerado receitas em várias partes do mundo. A distribuição geográfica das receitas das companhias que temos na carteira – hoje são 112 ações no fundo – é próxima da distribuição do PIB mundial, com uma concentração maior nos Estados Unidos, depois Europa e emergentes.
E qual o cenário fora dos Estados Unidos?
Esse ‘gap’ de preço entre as empresas mais defensivas com as cíclicas abriu também na Europa. E no Japão, as empresas exportadoras estão se beneficiando da queda da moeda local.